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sexta-feira, novembro 24, 2006

Against the Day - primeiras 44 páginas

Estou imoderamente optimista.
As críticas que li até agora foram, na sua maioria, negativas. E se isso não é muito revelador no caso desse desperdício de prestígio que é a Senhora Dona Kakutani, do NY Times (por quem nutro a mesma trémula e exasperada afeição que o Alexandre Andrade nutre pelo Eurico de Barros*), já as inesperadas machadadas da Laura Miller e de Louis Menand deixaram-me genuinamente angustiado. Mas não vi, até agora, nenhum indicador do catastrófico assomo de irrelevância que alguns sugeriram. O estilo faz talvez demasiadas aproximações ao mock-heroic e ao mock-pulp, mas se bem entendi os capítulos iniciais (e isso não é um dado adquirido, uma vez que não prego olho há dois dias, e o café me sabe a cinza), estes são supostos excertos de um livro de aventuras juvenil, ou pelo menos relatam acontecimentos filtrados pela entidade narrativa desses mesmos livros inexistentes. Além disso quem pega num livro de Pynchon e se indigna com o abuso do pastiche está claramente fora-de-jogo.
Para benefício de outros eventuais Pynchonistas insones, elaborei uma pequena check-list de elementos que todos estamos à espera de encontrar e que tentarei ir actualizando (sem promessas, pois haverá dias em que nem sequer me vou lembrar que o blog existe):

p. 5: o primeiro canídeo envolvido numa tarefa não-canídea - check! (no caso, a leitura de The Princess Casamassima);
p. 7: a primeira referência paranóica a um "mysterious Chinese consortium" - check!;
p. 15: a primeira canção - check!;
pgs. 6 e 36: primeiros personagens com nomes vagamente obscenos - check!: Prof. Heino Vanderjuice e Lew Basnight (Lube Ass Night, parece-me, mas - repito - posso estar a ver coisas onde não as há. Além disso, e para ser honesto, ambos ficam muito aquém de Dewey Gland, o marinheiro de V.)

Queria também anunciar que a minha birra com a Amazon está oficialmente terminada, tudo por obra e graça do meu carteiro, que me sugeriu um título que não será possível encontrar em mais lado nenhum: The Bible Cure for Sleep Disorders. Se isto falhar, o próximo passo é chamar um pai-de-santo.

(* A sra. Kakutani é apenas a fiel depositária de uma longa tradição no NY Times: a suspeita patológica de um certo tipo de literatura "experimental" ou lúdica. Um dos seus ilustres predecessores, Orville Prescott, foi responsável pela recensão crítica mais espectacularmente asinina de que há memória, ao longo da qual conseguiu esgotar todas as falácias saloias existentes e inventar algumas novas. O ano era 1958, o livro era Lolita, e o chorrilho de disparates pode ser lido aqui. Aconselho-vos a ter sais de frutos à mão.)

terça-feira, novembro 21, 2006

Against the Day


Se a Amazon não falhar, o meu exemplar de Against the Day chega amanhã. Depois, e durante uns tempos, este blog arriscar-se a ser um espaço obstinadamente monotemático.
Já agora, o excelente blog The Elegant Variation dedica o resto da semana ao "evento editorial do ano", com três dias seguidos de posts Pynchonianos . Vale a pena espreitar, que mais não seja para ler esta perturbante revelação de Carolyn Kellogg:

« (...) Oedipa first sees a drawing that looks like a muted trumpet. It may symbolize a secret mail system, which might imply many other things (then again, it might not). I had the symbol tattooed on my wrist. Some people recognize it. One day I was at Trader Joe's and the checkout guy asked me about it. "It's from a book," I said vaguely, not wanting to sound too smarty-pants. He asked about the book and I told him. "Yeah, I knew it," he said, smiling. I asked what he thought of The Crying of Lot 49, but he hadn't read it; I was the third person who'd come to his register that week with the same tattoo. Either I'm a member of a vast conspiracy (so secret that I'm unaware of it), or there are legions of Pynchon fans out there, all wearing our affiliation on our skin.»

sábado, novembro 18, 2006

Jackpot

No The Guardian de hoje, o escritor escocês Ian Rankin escreve um texto muito simpático e acessível sobre Thomas Pynchon. Tive o prazer de conhecer Ian Rankin em 2003, durante o Edinbugh International Book Festival, mas a minha tentativa de lhe roubar uma esferográfica foi espectacularmente mal sucedida, e não houve contactos subsequentes.
Mas os verdadeiros bombons pynchonianos do fim-de-semana estão guardados no The Modern Word, que conseguiu exumar uma pequena ficção epistolar que o Homem Invisível escreveu quando tinha apenas 15 anos. O estilo é surpreendentemente reconhecível, e até os temas que viriam a dominar a sua carreira futura estão lá todos, ainda que em estado embrionário. A não perder.
Por último, o cavalinho irlandês Willie Pep, apesar do seu bravo esforço na corrida das 15:50 em Ascot, não foi além de um terceiro lugar. Que a sua vida seja longa, e repleta de triunfos e de boa palha, são os meus sinceros desejos. Que insuportáveis comichões nas axilas recaiam com frequência sobre o seu incompetente e esbracejante jockey, são os meus sinceros desejos.

domingo, novembro 05, 2006

Se beber, não blogue


Nota: este blog não sugere, nem muito menos encoraja, a adesão à referida iniciativa. Limita-se a transmitir uma pepita informativa que se lhe afigura merecedora de alguns sorrisos tolerantes e pouco mais. O álcool como ferramenta artística é uma falácia que se espera estar já mais do que desfalaciada. Como lubrificante social e desbloqueador de silêncios nunca deixará de ser útil, mas por favor mantenham-no bem longe dos teclados. Se há coisa de que a blogosfera não necessita é de um processo de Hemingwaização.
Para robustecer este ponto, decidiu-se subordinar o resto do post à enumeração de algumas obras-primas da comédia muito do agrado aqui do "Pastoral Portuguesa", e todas escritas - tanto quanto se sabe - sem recurso a quaisquer substâncias intoxicantes:

Portnoy's Complaint, Philip Roth
Pnin, Vladimir Nabokov
Almas Mortas, Nikolai Gogol
Margarita e o Mestre, Mikhail Bulgakov
Mason & Dixon, Thomas Pynchon
The Day of the Locust, Nathanael West
Something Happened, Joseph Heller
Money, Martin Amis
The Life and Opinions of Tristram Shandy, Laurence Sterne
I Served The King of England, Bohumil Hrabal
A Consciência de Zeno, Italo Svevo
The Dog of the South, Charles Portis
Still Life With Woodpecker, Tom Robbins
Visions Before Midnight, Clive James
Parliament of Whores, P. J O'Rourke
Homage to Daniel Shays, Gore Vidal
Valis, Philip K. Dick
Mother Night, Kurt Vonnegut
The Devil's Dictionary, Ambrose Bierce
A Religious Orgy in Tennessee, H. L. Mencken
O Livro de Job

domingo, outubro 29, 2006

«The Death of the Lion» (2)

Se há algo para que novos leitores de Henry James raramente vão preparados é para o humor. A amnistia incondicional que o cânon lhe concedeu no século XX, veio munida de um estranho silêncio sobre um facto que deveria ser repetido muitas vezes: em boa forma, James é tão ou mais cómico que Dickens. A comédia pode não se impor de forma tão musculada, mas é seguramente mais versátil.
Temos a básica confusão de indentidades Shakespeareana:

«"Dora Forbes, I gather, takes the ground, the same as Guy Walsingham’s, that the larger latitude has simply got to come. He holds that it has got to be squarely faced. Of course his sex makes him a less prejudiced witness. But an authoritative word from Mr. Paraday - from the point of view of his sex, you know - would go right round the globe. He takes the line that we haven’t got to face it?"
I was bewildered: it sounded somehow as if there were three sexes. My interlocutor’s pencil was poised, my private responsibility great. I simply sat staring, none the less, and only found presence of mind to say:
"Is this Miss Forbes a gentleman?"
Mr. Morrow had a subtle smile. "It wouldn’t be ‘Miss’ - there’s a wife!"
"I mean is she a man?"
"The wife?"»

E neste diálogo, que podia (com muito boa vontade) sugerir uma sitcom contemporânea, notem o timing perfeito da interrupção:

«I declared to Lady Augusta briefly that nothing in the world can ever do so well as the thing that does best; and at this she looked a little disconcerted. But I added that if the manuscript had gone astray our little circle would have the less of an effort of attention to make. The piece in question was very long - it would keep them three hours.
‘Three hours! Oh the Princess will get up!’ said Lady Augusta.
‘I thought she was Mr. Paraday’s greatest admirer.’
‘I dare say she is - she’s so awfully clever. But what’s the use of being a Princess -- ’
‘If you can’t dissemble your love?’»

Há ainda um horrendo e memorável trocadilho - que Pynchon não desdenharia - envolvendo um versículo da profecia de Isaías e um prato de carne de borrego.
E para as multidões que nunca se cansam de abordagens à especulação metafísica feitas sob o signo de Beckett e do palhaço Batatinha, deixo aqui a primeira troca entre o narrador do conto e o seu inenarrável editor:

«Mr. Pinhorn pursed up his mouth. "Is there much to be done with him?"
"Whatever there is we should have it all to ourselves, for he hasn’t been touched."
This argument was effective and Mr. Pinhorn responded. "Very well, touch him." Then he added: "But where can you do it?"
"Under the fifth rib!"»


Agora liguemos a televisão.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Pamuk

E por falar em preços, há quatro anos que tenho vinte libras empatadas no Philip Roth (a 12/1). Os lacaios de Sadi Carnot que mexem os cordelinhos das marionetas Nobel andam, claramente, a testar a minha força de vontade. Não pus dinheiro no Pynchon, nem na Ozick, nem no Barth, porque tenho juízo e sei o que é que a casa gasta. Mas caramba, o Roth agora porta-se bem. O Zuckerman deixou de escrever sobre o que é escrever sobre o Zuckerman. Já não há counterlives a diluir a seriedade formal. Na última década, ele premiu os botões todos.
O que é que o homem precisa fazer mais: ser preso por comparar desfavoravelmente o Presidente dos Estados Unidos ao gerente de uma loja de ferragens?
Dou-lhes mais um ano para exumarem um (digamos) poeta albanês encarcerado cuja obra grita por reconhecimento, mas em 2008 podem contar com a minha carta de protesto.

terça-feira, outubro 10, 2006

The Kenosha Kid


(1)
The Kenosha Kid
General Delivery
Kenosha, Wisconsin, U.S.A.
Dear Sir:
Did I ever bother you, ever, for anything, in your life?

Yours truly,
Lt. Tyrone Slothrop


Tyrone Slothrop, Esq.
TDY Abreaction Ward
St. Veronica’s Hospital
Bonechapel Gate, E1
London, England

Dear Mr. Slothrop:
You never did.

The Kenosha Kid


(2)
Smartass youth: Aw, I did all them old fashioned dances, I did the “Charleston,” a-and the “Big Apple,” too!
Old veteran hoofer: Bet you never did the “Kenosha,” kid!
(2.1)
S.Y.: Shucks, I did all them dances, I did the “Castle Walk,” and I did the “Lindy,” too!
O.V.H.: Bet you never did the “Kenosha Kid!”

(3)
Minor employee: Well, he certainly has been avoiding me, and I thought that it might be because of the Slothrop Affair. If he somehow held me responsible—
Superior (haughtily): You! Never did the Kenosha Kid think for one instant that you...
(3.1) Superior (incredulously): You! Never! Did the Kenosha Kid think for one instant that you...?

4)
And on the mighty day on which he gave us in fiery letters across the sky all the words we’d ever need, words we today enjoy, and fill our dictionaries with, the meek little voice of Tyrone Slothrop, celebrated ever after in tradition and song, ventured to filter upward to the Kid’s attention: “You never did ‘the,’ Kenosha Kid!”

(5)
Maybe you did fool the Philadelphia, rag the Rochester, josh the Joliet. But you never did the Kenosha kid.

(6)
(The day of Ascent and sacrifice. A nation-wide observance. Fats searing, blood dripping and burning to a salty brown...) You did the Charleston stoat, check, the Forest Hills foal, check. (Fading now...) The Loredo lamb. Check. Oh-oh. Wait. What’s this, Slothrop? You never did the Kenosha kid. Snap to, Slothrop.

( . . . )
Slothrop: Where is he? Why didn't he show? Who are you?
Voice: The Kid got busted. And you know me, Slothrop. Remember? I'm Never.
Slothrop (peering): You, Never? (A pause.) Did the Kenosha Kid?

(Thomas Pynchon, Gravity's Rainbow)

sexta-feira, setembro 22, 2006

O lugar na estante

Duas pessoas, ambas de impecável e insuspeito gosto literário, discordaram cordialmente (uma por mail, outra em pessoa) de um efémero post que escrevi aqui há tempos sobre Don DeLillo. Impus a mim próprio uma reiteração qualificada. Eu continuo a achar DeLillo um grande escritor, tal como achava quando descobri os seus livros com assombro em 2000, na Bibioteca Pública de Birmingham. Os seus livros, precisamente, é que me parecem cada vez menores. E isto não um paradoxo de trazer por blog. Permitam-me um desvio.
Numa recolha de textos sobre os encontros entre Kasparov e a 1ª versão do Deep Blue em 1996, lembro-me de ter lido alguém, enamorado pela sua Espécie, que se gabava que qualquer Grande Mestre podia olhar para a notação da segunda partida e detectar imediatamente qual era a linha humana e qual a da máquina. Vale a pena realçar que a recolha agrupava autores cujo interesse pelo xadrês se assemelha ao meu: apaixonado, mas declaradamente leigo. (Xadresismo lowbrow, digamos). Alguém que conhece o jogo muito melhor do que eu ou o autor do referido texto garantiu-me recentemente que essa superstição já não tinha fundamento na altura e que vai sendo cada vez mais descabida; não porque as máquinas tenham evoluído e encurtado a distância (embora o tenham feito), mas porque o jogo humano - especialmente ao mais alto nível competitivo - permite cada vez menos espaço ao movimento ousado, à inovação radical, ao descuido genial.
Hipoteticamente, seria então possível, ao leitor batido e experimentado, detectar o dedo cibernético na literatura que, numa década lá para o meio do séc. XXI, fosse produzida por um Dark Deep Rainbow, autor de sonetos heróicos e romances espistolares, com © da IBM? Agrada-me, obviamente, pensar que sim. E a questão aqui não é de mera qualidade. Tenho dificuldade em admitir que um computador pudesse escrever Herzog, Pnin ou Mating, mas também o Valley of the Dolls, o Jaws ou o Sei Lá. O livro genuinamente mau, por muito formulaico que seja, tem de florescer de um impulso criativo também ele genuíno - a má Arte é quase sempre involuntária.
Mas custa-me menos a conceber que uma máquina pudesse ser programada para escrever como DeLillo.
Releio, para tirar teimas, algumas partes de Underworld que me ficaram na memória: os B-52's no deserto, os espantosos monólogos fictícios de Lenny Bruce, o episódio em que um padre Jesuíta força Nick a nomear as várias partes componentes de um sapato. Tudo isto permanece admirável. O que não existe, ou é raro, é o pulsar de uma consciência.
O meu sempre fiável James Wood (o melhor crítico contemporâneo em língua inglesa), numa das suas lúcidas diatribes contra o que ele chama "Realismo Histérico", alertou para o perigo de se usar a paranóia como elemento estruturante de uma narrativa - vício comum a uma geração inteira de escritores americanos operando sob a sombra monumental de Gravity's Rainbow. Delillo cai no alçapão que ele próprio cavou: ao insistir que tudo está interligado, força o leitor a constatar que nenhuma dessas ligações é ao nível humano.
Nos três contemporâneos de DeLillo que são, linha por linha, tão bons como ele - Roth, Pynchon e Norman Rush - esse pulsar está presente em cada página. Em DeLillo é apenas vapor, um vapor que ganha alguma solidez - a espaços - em White Noise, o mais doméstico dos seus romances, e na secção mais autobiográfica de Underworld, que trata da infância de Nick Shay no Bronx.
Mas um escritor capaz do desastre estético que é Cosmopolis (reafirmo: um dos piores romances que li nos últimos anos) tem forçosamente de ser reavaliado. E o resto da obra de DeLillo podia ter sido facilmente encapsulada em mini-ensaios; os artifícios específicos da ficção são, nele, quase sempre contingentes.
Por isso, apesar dos vários prodígios da sua escrita, na minha estante ele permanecerá entre o America de Baudrillard e os Derridas, não entre Bellow e Pynchon.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Para limpar o palato

Para limpar o palato, como um bom lemon sorbet, deixo o link para um excelente artigo de Pynchon sobre os motins raciais de Watts, que ocorreram no dia 11 de Agosto de 1965.

Bad news

O The Modern World trazia ontem um suposto excerto do novo romance de Thomas Pynchon, que sai em Dezembro:

«Back in 1899, not long after the terrible cyclone that year which devastated the town, Young Willis Turnstone, freshly credentialed from the American School of Osteopathy, had set out westward from Kirksville, Missouri, with a small grip holding a change of personal linen, an extra shirt, a note of encouragement from Dr. A. T. Still, and an antiquated Colt in whose use he was far from practiced, arriving at length in Colorado, where one day riding across the Uncompahgre plateau he was set upon by a small band of pistoleros.“Hold it right there, Miss, let’s have a look at what’s in that attractive valise o’yours.”
“Not much,” said Willis.
“Hey, what’s this? Packing some iron here! Well, well, never let it be said Jimmy Drop and his gang denied a tender soul a fair shake now, little lady, you just grab ahold of your great big pistol and we'll get to it, shall we.” The others had cleared a space which Willis and Jimmy now found themselves alone at either end of, in classic throwdown posture. “Go on ahead, don’t be shy, I’ll give you ten seconds gratis, ’fore I draw. Promise.” Too dazed to share entirely the gang’s spirit of innocent fun, Willis slowly and inexpertly raised his revolver, trying to aim it as straight as a shaking pair of hands would allow. After a fair count of ten, true to his word and fast as a snake, Jimmy went for his own weapon, had it halfway up to working level before abruptly coming to a dead stop, frozen into an ungainly crouch. “Oh, pshaw!” the badman screamed, or words to that effect.
“Ay! Jefe, jefe,” cried his lieutenant Alfonsito, “tell us it ain’ your back again.”
“Damned idiot, o’ course it’s my back. Oh mother of all misfortune--and worst than last time too.”
“I can fix that,” offered Willis.
“Beg your pardon, what in hell business of any got-damn pinkinroller’d this be, again?”
“I know how to loosen that up for you. Trust me, I’m an osteopath.”
“It’s O.K., we’re open-minded, couple boys in the outfit are evangelicals, just watch where you’re putting them lilywhites now--yaaagghh--I mean, huh?”
“Feel better?”
“Holy Toledo,” straightening up, carefully but pain-free.
“Why, it’s a miracle.”
“Gracias a Dios!” screamed the dutiful Alfonsito.
“Obliged,” Jimmy guessed, sliding his pistol back in its holster.»


O problema aqui é que isto, não sendo catastrófico, também não é muito bom. As mailing lists já fervilham com rumores e muitos suspeitam que o excerto é apenas a última adenda a uma longa lista de fabricações - o cíclico festival contra-informativo que sempre precede uma nova erupção editorial do Homem Invisível.
Ficaria mais descansado se o rumor se viesse a revelar presciente, mas duvido.
O estilo de Pynchon é relativamente fácil de emular (como provaram David Foster Wallace e Neal Stephenson) e ainda mais fácil de parodiar (como provou o próprio Pynchon nos piores momentos de Vineland e Mason & Dixon). Este diálogo soa-me genuíno, seguindo a mesma matriz de pastiche barato que marcou algumas das suas páginas recentes.
Os augúrios não são bons, mas Pynchon sempre foi, página por página, um talento desigual. Resta esperar por Dezembro e pelas good news.

sábado, julho 29, 2006

A Especialização do Conhecimento

Aqui há uns anos, depois de alucinar pela primeira vez o arco-íris da gravidade, diverti-me imenso a explicar aos fãs do Trainspotting que a famosa cena do mergulho na retrete (a cena preferida de muitos) não era mais que um decalque da imaginação sobrenatural do Homem Invisível.
Na mesma altura, durante o meu breve período como membro da Pynchon Mailing List, troquei alguns e-mails com um tipo da Califórnia, um Pynchoniaco de primeira linha, que me confessou andar desde os anos 80 a organizar uma concordata que cruzava mais de 900 referências obscuras do livro com as suas fontes originais. O labor tinha-o transformado num perito em campos tão diversos como a poesia de Rilke e a banda desenhada dos anos 30 e 40 (desde que tivessem qualquer relação com Gravity's Rainbow).
Algo embaraçado pela relativa indolência da minha obsessão, tentei mudar de assunto e partilhei a minha campanha para corrigir os fãs da cena da retrete, versão Ewan McGregor. A sua resposta - pronta e creio que genuína - veio no mail seguinte:
"Trainspotting? What's that, a movie?"