quarta-feira, agosto 09, 2006

Verdades pop



















Warm lights from the grand houses blind me
Haves cannot stand have-nots
And my love is under the ground
My one true love is under the ground
And I´ll never be
I´ll never be
I´ll never be anybody´s hero now

They who should love me
Walk right through me
I am a ghost
And as far as I know I haven´t even died
And my love is under the ground
My one true love is under the ground
And I´ll never be
I´ll never be
I´ll never be anybody´s hero now

(Morrissey, «I'll Never Be Anybody's Hero Now», Ringleader of the Tormentors)

terça-feira, agosto 08, 2006

Esta noite ouve-se



From where Im sitting, rain
Falling against the lonely tenement
Has set my mind to wander
Into the windows of my lovers
They never know unless I write:
"This is no declaration,
I just thought Id let you know goodbye"
Said the hero in the story:
"It is mightier than swords
I could kill you sure
But I could only make you cry with these words"

(Belle and Sebastian, «Get Me Away From Here I'm Dying», If You're Feeling Sinister)

Shame on me

Num velho texto de sociologia do Erving Goffman, no qual não pegava há anos, encontro a seguinte passagem sublinhada:

«... A call girl profissional tem um código de conduta que regula as suas interacções com o cliente. (...) Por exemplo, é habitual a call girl nunca mostrar quaisquer sinais de reconhecer o cliente quando se encontra com ele num lugar público.»

Na margem, escrito a lápis, está este lamentável resmungo: «As minhas ex-namoradas fazem o mesmo comigo».
Um gajo às vezes é mesmo uma coisinha triste.

Secretária precisa- se (II)

Foda-se. Era o dentista.

There will be no Safety Zone

«You will all be caught with your diapers down! That is a promise! I make you this promise on my mother's head! For right here, today, standing on the very head of my mother, which is our God Green Earth, which everybody who wasn't born in a fucking sewer ought to know and understand to the very marrow of their bones! They will invade you in your beds! They will snap you from your hot tubs! They will pluck you right out of your fancy sports cars! There is nowhere! Absolutely nowhere in this Godforsaken valley! I'm talking about from the range of my voice right here, clear out to the goddamn Mojave Desert and beyond that! Clear out past Barstow and everywhere else in the valley all the way to Arizona! None of that area will be called a Safety Zone! There will be no Safety Zone! I can guarantee you the Safety Zone will be eliminated! Eradicated! You will all be extradited to the Land of No Return! It's a Navigation to Nowhere! And if you think that's going to be fun, you've got another think coming! I may be a slimebucket but believe me, I know what the hell I'm talking about! I'm not crazy! And don't say I didn't warn you! I warned you! I warned all of you!»

(Sam Shepard - Paris, Texas)

Screaming Man


Se a Academia atribuísse Óscares para o melhor desempenho num papel que não é principal nem secundário, em 1984 este senhor tinha ganho de caras.

The Simulacra

Doente? Nós, os leitores de Philip K. Dick, sabemos que não. E suspeitamos que o homem há muito que não existe.

Tiro ao lado

Nem sempre a origem de um título é interessante. Mas no caso deste álbum dos James a história merece ser contada.
Os rapazes contam que depois de terem gravado o álbum Laid (1993) experimentaram um súbito aumento na qualidade e quantidade da sua actividade sexual. Quatro anos depois, o muito esperado Whiplash trouxe uma violenta reacção negativa, tanto da parte dos fãs como da imprensa musical. Já plenamente convencidos do poder sobrenatural do acto de nomear, não tiveram dúvidas sobre o álbum seguinte: Millionaires.
Aplaudo a ideia. No fundo, quem é que não gosta de dinheiro? Mas se eu tivesse estado na reunião, teria votado num Laid II.

O nome do blog

E já que estamos nos mails, também me perguntam o significado do nome do blog. A verdade é que não tem. Só que as minhas seis primeiras escolhas já estavam ocupadas. Tive de ficar com o que restava.
Foi um pouco como no baile de finalistas.

Chichikov

Noutro mail, alguém me diz que há pessoas neste mundo que ainda não leram o Almas Mortas. A ser verdade, do que é que vocês estão à espera?

E-mail da semana

«(...) e o Compasso Político, de que me falaste há ano e tal, disse-me finalmente que sou um libertário de direita. E só precisei de fazer o teste cinco vezes! (...)»

Secretária precisa-se

Marquei o dia de hoje no calendário. Fiz um bonito círculo azul à volta do 8. Sublinhei duas vezes. E por cima escrevinhei algo que pode ser um "D", um "P" ou outra coisa qualquer. E raios me partam se me lembro para que era o lembrete.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Esta noite ouve-se




She weaves secrets in her hair
The whispers are not hers to share
She's deep as a well
She's deep as a well

Another day wastes away
And my heart sinks with the sun
A new day's dawning
And a new day has not yet begun

So, anyway
There I was
Just sitting on your porch
Drinking in your sweetest decline
Your sweetest decline

What's the use in regrets
They're just thing we haven't done yet
What are regrets?
They're just lessons we haven't learned yet

Another day draws away
And my heart sinks with the sun
It's like catching snow on my tongue
It's like catching snow on my tongue

So, anyway, there I was
Just sitting on your porch
Drink in your sweetest decline
The sweetest decline

What are regrets?
What are regrets?
They're just lessons we haven't learned yet
It's like catching snow on your tongue

You can't pin this butterfly down
Can't pin this butterfly down

(Beth Orton, «Sweetest Decline», do magnífico Central Reservation)

They're coming

Do Diário Digital:

«Portugal ganhou um habitante a cada 13 minutos em 2005

A população portuguesa ascendia a 10.569.592 indivíduos no final do ano passado, um acréscimo de 40.337 pessoas face ao ano anterior, indicam os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).»

Não percebo se a notícia revela a má qualidade dos serviços de imigração ou dos serviços de contracepcão.

Birds, schmirds

«Hear the birds? Sometimes I like to pretend that I'm deaf and I try to imagine what it's like not to hear them. It's not that bad.»

(Curb Your Enthusiasm)

It never happens



Quando podia perfeitamente estar uma destas.

Nevermore


Hoje, quando cheguei a casa, estava uma criatura destas na varanda.

Adenda

Ocorre-me agora que não sei se o Lord of the Rings poderia fazer parte da lista anterior. Por dois motivos:
a) não consegui ler mais de quarenta páginas do livro,
b) adormeci a ver o primeiro filme e não tentei os seguintes.
Sei que esta é uma opinião minoritária, inclusivamente nos meus círculos mais chegados (sim, geeks, estou a falar com vocês) mas em relação a isto vou citar as palavras do meu sábio amigo Robert: "Se um filme tem homens adultos mascarados de bichinhos, então é bom que seja uma comédia ou um filme de terror. Caso contrário arrisca-se a ser as duas coisas, involuntariamente."

Ficção de polpa

Para todos aqueles que, em conversas comigo, usaram, usam ou pensam usar a expressão "pois é, o livro é sempre melhor que o filme", aqui vai uma lista para as férias:

The Godfather, Mario Puzo
The Graduate, Charles Webb
The Ice Storm, Rick Moody
The Last of the Mohicans, James Fenimore Cooper
Jaws, Peter Benchley
Fight Club, Chuck Palahniuk
Goldfinger, Ian Fleming

Leiam estas sete amostras, que variam entre o razoável (Palahniuk), o entediante (Cooper) e o francamente abominável (Benchley) e depois vejam o tratamento que a malta de Hollywood lhes deu.

Mortes (III)

O grande escritor checo (e grande adepto de futebol) Bohumil Hrabal, caiu do quinto andar de um hospital quando tentava alimentar os pombos. Alguns dias antes tinha confessado no seu diário: "... ando obcecado com a ideia de saltar da janela do quinto andar, neste apartamento onde todos os quartos magoam".

Mortes (II)

O panasca genial Nikolay Gogol caiu sob a influência de Matvey Konstantinovsky, um padre ortodoxo doido, que o convenceu a destruir o manuscrito da sequela de Almas Mortas. Como se isso não bastasse, aconselhou-o também a jejuar até que lhe passassem as tendências homossexuais. Gogol morreu pouco depois. De fome.

Mortes (I)

O hipocondríaco Heraclito, que passou grande parte da vida a dizer mal dos médicos, contraíu finalmente uma doença real: hidropisia. Adepto da medicina caseira, tentou sepultar-se em estrume, esperando que o calor fizesse evaporar a maleita.
Não resultou.

domingo, agosto 06, 2006

Para lá do peixinho dourado

«But one is still puzzled by the idea of the truly random thought. For when thought is random and detail is recalled for no obvious reason, then remembered detail has no obvious metaphysical superiority, or privilege, over what has actually been forgotten. One of the reasons that random thought is random is that it is treading over what is forgotten, over the corpses of thoughts

(James Wood, "Shakespeare and the pathos of rambling", The Irresponsible Self: On Laughter and the Novel. Pimlico, 2005)

Congresso de Portnoys (II)

Sem me querer alongar muito na conversa javarda, falei ontem disto, antes do evento, mas só hoje me dei ao trabalho de ler o panfleto completo. É que a coisa teve regras. Quatro, para ser exacto. A segunda era esta:

"2. No faking orgasms! Do not waste our time. If you have an orgasm we are happy for you but this is not our goal."

Para além de ser cruel, patética e indecente, a regra plagia descaradamente o DNA masculino. E há coisas que não se confirmam.

Conversa de pub

Quantos erros de tradução teria a primeira edição europeia do Kama Sutra? Quantos acidentes graves terão causado? E quantos viriam a ser incorporados no cânone?

Kama sutra

- E tu, qual é a tua posição sexual favorita?
- Bem, eu gosto de me reclinar no sofá, com o telecomando na mão esquerda e um pacote de lenços ao lado.

sábado, agosto 05, 2006

Na minha rua não há mulheres assim (II)


Kate Beckinsale, actriz inglesa

False friend, false hope

Quanto tempo tem uma pessoa de viver no estrangeiro até sucumbir ao "efeito Roberto Leal"? Cinco, dez, quinze anos? Quanto tempo tem de se estar imerso diariamente numa segunda língua - falando, pensando, lendo jornais, vendo os noticiários - até se começar a produzir desvios de sotaque e vocabulário?
Uma amiga minha, algarvia, que vive na Grã-Bretanha há mais de quinze anos, evidencia já alguns sintomas. É frequente saírem-lhe palavras trocadas, especialmente palavras que nunca teve tempo para interiorizar em português: mouse por "rato", keyboard por "teclado", remote por "telecomando" e por aí fora.
Recentemente, porém, o desvio foi quase cruel. Numa inocente conversa de café, e a propósito de nada, ela sai-se com esta:
- Ai, ando cheia de vontade de te introduzir a uma amiga minha.
E foi só isto. Mas naquela fracção de segundos que o meu cérebro, que de imediato me providenciou inúmeras imagens de "introduções", demorou a perceber que o "introduzir" era apenas o verbo inglês introduce ("apresentar a") invadindo descaradamente língua alheia, fui o homem mais feliz do mundo.

História de terror

Uma das boas recordações da minha infância é uma viagem de comboio que fiz entre a Régua e o Porto, quando tinha 12 anos. E a recordação é boa acima de tudo pela viagem de regresso à Régua, que fiz acompanhado por uma edição acabadinha de sair do Turno da Noite, de Stephen King, comprada com a mesada de férias na velhinha e belíssima Livraria Lello.
Um dos contos do livro, «O Papão», começa e termina num consultório psiquiátrico. Um homem conta uma história inverosímil e o psiquiatra tenta convencê-lo a marcar nova série de consultas. O protagonista hesita mas acaba por ceder. A tradução portuguesa regista assim a sua interjeição:
"Maldito encolhas [damn shrink, obviamente], está bem, está bem."

Maldito. Encolhas. Duas palavrinhas. Mas de fazer arrepiar os cabelos da nuca.

Cartoon sem imagens

Um transsexual judeu, no bloco pós-operatório, comenta para a enfermeira: "Yes, I used to be circumsized".