Os zigues e os zagues do debate político na blogosfera não costumam alterar o nível do mercúrio aqui no Pastoral Portuguesa, daí a minha esporádica e limitada navegação por esse género de blogs. E numa hipotética lista de assuntos que não me interessam, a oeuvre dos senhores Lapierre, Collins e Tavares ocuparia certamente uma posição de topo.
Dadas estas circunstâncias, sempre achei que no dia em que um leitor se virasse para mim e dissesse "Sabes, Casanova, ainda hei-de ver no teu esplêndido blog um link para um texto do Aspirina B sobre o Miguel Sousa Tavares" eu responderia de imediato "Que disparate, leitor! Não o faria!"
Mas o link aqui fica, em conformidade com a alínea 3 do artigo II dos estatutos do Pastoral Portuguesa, que me obriga a referir qualquer texto em português onde o Moby Dick e o Gravity's Rainbow sejam mencionados na mesma frase.
(Espero agora que outros blogs não desatem a fazer referências gratuitas ao Herzog, Mating, «The Beast in the Jungle» ou To the Lighthouse, tentando aproveitar-se das alíneas 4 e 5 do mesmo artigo)
quarta-feira, outubro 25, 2006
Grandes Portugueses
Qualquer lista deste género que não inclua um único dos Cinco Violinos não me parece merecedora de comentários sérios. Ainda assim, como não-participante, alimento uma esperança: que as massas se unam para demonstrar ao Poderes Vigentes que a memória dos feitos de Pêro da Covilhã está bem viva e que nenhuma conspiração silenciosa a conseguirá extinguir.
Buttercup wisdom

Things are seldom what they seem,
Skim milk masquerades as cream;
Highlows pass as patent leathers;
Jackdaws strut in peacock's feathers
Black sheep dwell in every fold;
All that glitters is not gold;
Storks turn out to be but logs;
Bulls are but inflated frogs
HMS Pinafore
(É verdade, Buttercup. Por exemplo, o som que se ouve nos primeiros segundos da canção «Groovin'», dos Young Rascals, parece ser o canto de um canário. Mas não é. Não é.)
terça-feira, outubro 24, 2006
Adenda ao post anterior
Para que não restem dúvidas sobre a minha capacidade para formular opiniões incendiárias sobre assuntos polémicos, reclamo de imediato a legitimidade intelectual que advém de possuir um blog para deixar aqui três:
. tenho a firme convicção de que o Rodrigo Tello merece neste momento o estatuto de titular indiscutível, seja em que posição for;
. tenho a firme convicção de que o Scott Walker mete o Jacques Brel num chinelo de senhora;
. tenho a firme convicção de que há certas tonalidades de amarelo que, por se desviarem tanto do que entendemos por amarelo numa sociedade civilizada, mereciam uma designação diferente, e não apenas uma variante hifenada.
. tenho a firme convicção de que o Rodrigo Tello merece neste momento o estatuto de titular indiscutível, seja em que posição for;
. tenho a firme convicção de que o Scott Walker mete o Jacques Brel num chinelo de senhora;
. tenho a firme convicção de que há certas tonalidades de amarelo que, por se desviarem tanto do que entendemos por amarelo numa sociedade civilizada, mereciam uma designação diferente, e não apenas uma variante hifenada.
Madrugada avulsa
Há seis anos que sou leitor regular de jornais britânicos e, neste período, apenas por quatro vezes exerci um dos mais aprazíveis direitos que essa condição proporciona: o puxar da indignação e escrever uma carta ao editor. Estreei-me nas vésperas do Euro 2004, com uma vociferante reprimenda a um jornalista desportivo do The Guardian, corrigindo um artigo seu onde uma declaração de Luís Felipe Scolari fora espectacularmente mal traduzida. Na segunda, para a secção de livros do Independent, protestei contra o elitismo bonacheirão que detectei numa apreciação a Philip K. Dick, e que considerei (deve ter sido antes do pequeno-almoço) uma gravíssima falta de respeito. A terceira foi para o The Scotsman, a propósito da Lei anti-tabagista. A quarta foi para o The Scotsman, a propósito da Lei anti-tabagista. O que aconteceu foi isto: apercebi-me de uma falha descomunal no meu primeiro argumento e, sob pseudónimo, escrevi nova carta a desmantelar a missiva original. Devidamente desmantelado, o argumento morreu, sem ninguém ter ligado pevide a mim ou a mim.
(O incidente, já agora, veio-me à memória porque acabei de jogar uma partida de xadrês contra mim próprio, na qual fui sumariamente derrotado; posso não ser o meu mais temível adversário, mas sou certamente o meu mais temível adversário).
Serve este preâmbulo para justificar a minha relutância em usar o blog para opinar sobre matérias "correntes". Não há qualquer alínea nos estatutos do "Pastoral Portuguesa" que me proíba de falar em referendos, manifestações e outros temas de interesse público. O receio de incorrer em polémicas estéreis e prolongadas com terceiros também é quase nulo. O que me apavora é a possibilidade de dar voz a um ponto de vista tão objeccionável que me impeça de voltar a olhar para mim próprio da mesma maneira.
A propósito, no dia 24 de Outubro de 1966, morria em Moscovo (de diabetes) a matemática russa Sofya Yanovskaya. Foi ela quem persuadiu Wittgenstein e Francis Skinner a abandonarem a sua curta aventura Soviética em 1935.
Não sei que extenso novelo Histórico esta singela acção terá desenrolado, mas de uma coisa estou certo: tenho sono e não consigo pregar olho. Não há quem me receite uma mezinha?
(O incidente, já agora, veio-me à memória porque acabei de jogar uma partida de xadrês contra mim próprio, na qual fui sumariamente derrotado; posso não ser o meu mais temível adversário, mas sou certamente o meu mais temível adversário).
Serve este preâmbulo para justificar a minha relutância em usar o blog para opinar sobre matérias "correntes". Não há qualquer alínea nos estatutos do "Pastoral Portuguesa" que me proíba de falar em referendos, manifestações e outros temas de interesse público. O receio de incorrer em polémicas estéreis e prolongadas com terceiros também é quase nulo. O que me apavora é a possibilidade de dar voz a um ponto de vista tão objeccionável que me impeça de voltar a olhar para mim próprio da mesma maneira.
A propósito, no dia 24 de Outubro de 1966, morria em Moscovo (de diabetes) a matemática russa Sofya Yanovskaya. Foi ela quem persuadiu Wittgenstein e Francis Skinner a abandonarem a sua curta aventura Soviética em 1935.
Não sei que extenso novelo Histórico esta singela acção terá desenrolado, mas de uma coisa estou certo: tenho sono e não consigo pregar olho. Não há quem me receite uma mezinha?
Esta noite ouve-se

well they sent back all the bodies
who were looking really hopeless
well it didn't seem that callous
till they stopped you in your flow
she's surrounded by her wardens
and they're looking really nervous
all about the man from reuters
here to nullify your glow
everything you say will destroy you
- anyway
everything you say will come haunt you
round each corner
everything you say will destroy you
well you may think that you're buddha
sitting on a mound of ashes
you were mentioned in the postscript of
dispatches anyway
and the major's really nervous
when he's walking round the airport
you know your master's card is marked
your upstart charge is cool and smart
everything you say will destroy you
- anyway
everything you say will come haunt you
round each corner
everything you say will destroy you
your unwanted suitor
leaves his things around your home
he's marking out his territory
he's pissing on your answerphone
well you may think that you're buddha
lying on a mound of ashes
you were mentioned in the postscript
of dispatches anyway
(Luke Haines & The Auteurs, «Everything You Say Will Destroy You», After Murder Park)
domingo, outubro 22, 2006
Coleridge

Nascia a 21 de Outubro de 1772, um dos grandes esgazeados da nossa Espécie, e um dos amigos deste blog. Se consultarem uma enciclopédia qualquer é provável que o encontrem definido como poeta, crítico literário, teólogo, filósofo, formulador de uma teoria estética revolucionária, entre outros disparates. Mas rogo-vos: entalem o bocejo e continuem a ler. Vasculhem até, se estiverem para aí virados (e tiverem os mesmos problemas em adormecer que eu tenho) a biografia de 2 volumes escrita pelo Richard Holmes. Depois leiam o que o próprio Coleridge teve a dizer sobre a sua vida. Nas cartas, nos Notebooks, e especialmente na Biographia Literaria - a autobiografia mais exuberantemente espatafúrdia da Literatura, que ainda por cima vem mascarada de "teoria" literária. Prometo-vos um fartote dos antigos.
Coleridge foi também, além dos outros títulos oficiais, o fundador oficioso de uma longa tradição: a do artista como esponja. Mantida por Poe, Faulkner, Lowry, Dylan Thomas, Brendan Behan, Burroughs, Capote, et al, cada um com os seus venenos de eleição, e todos dedicados a celebrar (nas palavras do aborrecidamente sóbrio Saul Bellow) "a seguinte proposição: a consciência é uma coisa terrível e deve ser evitada a todo o custo". O custo, por norma, é elevado. Coleridge, por exemplo, passou os últimos 30 anos da sua vida com prisão de ventre, e com pavor de adormecer, devido aos pesadelos provocados pelo ópio.
Virginia Woolf, que escreveu sobre a degradação do impulso criativo com uma clareza assustadora, escancarou o mito: Coleridge (e aqui podemos extrapolar: "o Artista") não sabotou o seu talento com o consumo excessivo de ópio; o que Coleridge fez foi consumir excessivamente ópio para dissimular o que ele suspeitava ser o rápido desaparecimento de um talento moribundo. Nos últimos anos da sua vida, tornou-se um escritor quase obsessivamente não-sistemático: o que nos resta dessas décadas é uma amálgama (não raras vezes brilhante) de fragmentos, pensées, notas soltas, marginalia e cartas. Sobretudo cartas. Se pensarmos bem, a plataforma ideal para abandonar uma ideia a meia-frase, e com uma audiência cativa que podia aplaudir com relativa rapidez uma intenção em vez de uma obra completa. Há dezenas de referências a livros que Coleridge planeou mas nunca chegou a escrever, por estar demasiado ocupado a drunfar-se.
Ou a chular regimes de meia-pensão, o que fazia como ninguém. Era frequente cravar estadias em casa de amigos, prometendo ficar apenas alguns dias, e barricar-se depois no meio de uma muralha de papéis e livros, acabando por ficar meses a fio. O seu último médico, o quase-santo Dr. Gillman, receando que o vício de Coleridge estivesse a ficar fora de controlo (até no séc. XIX havia eufemistas), acolheu-o em sua casa em 1818 para uma espécie de detox intensiva, e teve de o aturar durante 16 anos. E o mais estranho nesta história é que Coleridge (como Heraclito) era essa figura sempre garante de boa comédia: um hipocondríaco que detestava médicos. A sua vida está repleta de incidentes, entre o escabroso e o patético, resultantes desta contradição. Como o ter de se sujeitar a uma série de enemas durante um cruzeiro até Malta. Ou o tentar tratar uma doença venérea esfregando nos genitais uma solução doméstica de vinagre, chumbo e pão ralado.
Mas o paradoxo era, nele, um estilo de vida. Coleridge foi o homem que tentou sistematizar o seu horror a sistemas numa teoria coerente; que tentou curar a sua fobia da medicação tornando-se opiómano; que pregava um Cristianismo ortodoxo e pejava os seus textos com negações casuais da verdade da Ressurreição e ridicularizações da Eucaristia. O seu erro (um erro exumado pelos que nele tentam descobrir uma filosofia estética ou uma teologia organizada) foi o de tentar aplicar um talento meramente especulativo a tarefas logísticas. A sua escrita está ao seu melhor quando se limita a polvilhar de metáforas inesperadas uma série de ideias sem qualquer encadeamento. Mas, tipicamente, Coleridge continuou, até aos últimos dias, a planear tratados morais.
Um farrapo de humanidade, em suma, mas que transmite a ideia (rara) de ter estado sempre penosamente consciente de todos os seus defeitos. Era excelente no insulto (normalmente o sinal de um intelecto superior) mas as melhores farpas eram auto-infligidas. Na Biographia, ou nas cartas, é frequente encontrarmos a demolição rigorosa de um pai que abandona os filhos, de um amigo com quem não se pode contar, ou de um tipo oleoso que não paga as dívidas que contrai - e é de si próprio que ele está a falar.
O que fica disto tudo é a prosa, claro, que é magnífica. Da poesia não falo, porque quase não conheço - mas não me parece grande coisa.
Costumava dizer-se (aprendi esta com o Bloom) que Coleridge foi o último homem a ler tudo. Acrescento: foi também - apesar do ridículo que permeia muito do que escreveu, disse e fez - um daqueles raros artistas que nos deixam com vontade de fazer o mesmo.
(Nota: em homenagem ao estilo de quem tenta homenagear, este texto foi escrito de madrugada, sem método, sem quaisquer esquemas ou notas auxiliares , e sob a influência de - à falta de ópio - copiosas quantidade de Coca-Cola fora de prazo. Por uns instantes ainda considerei a hipótese de fazer umas rimas, mas isso já seria abusar da minha própria paciência, quanto mais da vossa.)
sábado, outubro 21, 2006
O Blog de Coleridge (III)
«To read Dryden, Pope & co, you need only count syllables; but to read Donne you must measure Time, & discover the Time of Each word by the Sense and Passion. - I would ask no surer Test of a Scotch-man's Substratum (for the Turf-cover of Pretension they all have) than to make him read Donne's Satires aloud. If he made many Metre of them, & yet strict metre, -then- why, then he wasn't a Scotchman, or his Soul was geographically slandered by his Body's appearing there.-»
(Nota escrita pelo mestre da divagação gratuita, na margem de uma antologia de poemas de John Donne. "his Soul was geographically slandered", já agora, é o que eu quero na minha lápide...)
(Nota escrita pelo mestre da divagação gratuita, na margem de uma antologia de poemas de John Donne. "his Soul was geographically slandered", já agora, é o que eu quero na minha lápide...)
A vida corre-me mal por isto, e isto, e isto...

«A lover's task is what Peter meant: something he could do to demonstrate to Katherine that he loves her like life and language themselves despite mosquitoes, heat, humidity, her parents' trying unsuccessfully not to be a bother, precious little sex since Kath's on the cusp, no tennis but brutal with macho male Sherritts all save Andy the youngest of whom blow him off the family court in straight sets, every day less swimming in Sherritt Cove, less windsurfing and waterskiing out in Goldsborough Creek, because on each new tide the sea nettles move a bit farther in like a billion old condoms with their miserable sting and beautiful name, Chrysaora quinquecirrha, which means five-filamented gold-edge but ought to mean God's five-month curse upon the Talbot County Gold Coast, no respite from Kathy's old prep-school and college chums, family friends, and fellow ASPS (American Society for the Preservation of Storytelling), swarming like sheepflies on Nopoint Point, including her onetime (one time) lesbian lover, a black-belt balladeer and sometime pain in our marital tush, though Kathy won't hear May Jump spoken ill of except by Peter in extremis. And more.»
(Oferece-se agora uma tablete de Cadbury's Dairy Milk [o Lindt & Sprüngli escasseia e tenho, como a formiguinha da fábula, um longo Inverno à minha frente] ao primeiro leitor a identificar correctamente o fragmento, sem recorrer à batota do google. Tablete adicional para quem conseguir detectar a pequena alteração ao texto original, maliciosamente introduzida pelo transcritor, que é danado para a brincadeira e está a ter grandes dificuldades nisto do "adormecer".)
sexta-feira, outubro 20, 2006
No comboio
Um instante de negligência logística, que espero não se venha a repetir, fez com que tivesse de me sujeitar a uma viagem de 45 minutos sem qualquer material de leitura.
Aqui ficam alguns pormenores que me teriam passado despercebidos caso estivesse embrenhado nos desvarios fictícios de algum narrador de bolso:
. uma rapariga envergando uma saia curta de um material que me pareceu poliéster (mas que podia muito bem não ser) cruzou e descruzou as pernas sete vezes num período certamente inferior a cinco minutos;
. um indivíduo de sobretudo cinzento e gravata amarela lia, com palpável desdém, um artigo de opinião no Daily Telegraph sobre a problemática da integração muçulmana na sociedade britânica;
. alguém desenhara um rudimentar cavalo (ou um touro), completo com pénis desproporcionadamente grande, por cima de um cartaz prometendo aos jovens dinâmicos excelentes perspectivas de carreira no ramo da revisão de títulos de transporte;
. num terreno de pasto entre as estações de Longbridge e Alvechurch, um rebanho de ovelhas assumiu uma disposição que, durante escassos segundos, me sugeriu o símbolo do Sporting, o que me fez entoar em voz alta o nosso mote centenário: "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória!", para consternação dos restantes passageiros;
. hoje, julgo que pela primeira vez desde a escola primária, calcei peúgas desirmanadas.
Aqui ficam alguns pormenores que me teriam passado despercebidos caso estivesse embrenhado nos desvarios fictícios de algum narrador de bolso:
. uma rapariga envergando uma saia curta de um material que me pareceu poliéster (mas que podia muito bem não ser) cruzou e descruzou as pernas sete vezes num período certamente inferior a cinco minutos;
. um indivíduo de sobretudo cinzento e gravata amarela lia, com palpável desdém, um artigo de opinião no Daily Telegraph sobre a problemática da integração muçulmana na sociedade britânica;
. alguém desenhara um rudimentar cavalo (ou um touro), completo com pénis desproporcionadamente grande, por cima de um cartaz prometendo aos jovens dinâmicos excelentes perspectivas de carreira no ramo da revisão de títulos de transporte;
. num terreno de pasto entre as estações de Longbridge e Alvechurch, um rebanho de ovelhas assumiu uma disposição que, durante escassos segundos, me sugeriu o símbolo do Sporting, o que me fez entoar em voz alta o nosso mote centenário: "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória!", para consternação dos restantes passageiros;
. hoje, julgo que pela primeira vez desde a escola primária, calcei peúgas desirmanadas.
Where is Ms Bobone when I need her?
As minhas noções de ética bloguística são ainda incipientes e isso nota-se. A questão do elogio circular, por exemplo. Quando me elogiam o blog em público, devo agradecer em público ou em privado? E quando o elogiam em privado, devo agradecer em privado ou em público? E quando não o elogiam de todo, o que é o mais frequente, devo entrar em pânico?
Enfim, a senhora do Bomba Inteligente (uma página algo intimidante, a que acederia com muito mais frequência se soubesse como desactivar os assustadores ficheiros de som sem ter de colocar o meu sistema inteiro em mute) colocou-me no seu espaço de "destaques" diários. Interpretei imediatamente o gesto como um elogio. Mas depois do lanche, analisando a situação mais a frio, recordei o meu professor de Francês na Luísa de Gusmão (o deveras intimidante Professor Cardoso) que também tinha por hábito "destacar" largas secções dos meus testes escritos. E nenhuma das suas notas marginais traduzia uma intenção elogiosa. Portanto fico na dúvida. Mas em todo o caso, como disse ao Professor Cardoso no final do 9º ano, desculpe, obrigado por tudo, e desculpe.
Já o senhor do Tradução Simultânea, um dos blogs que visito com assiduidade, referiu-se a este espaço em termos embaraçosamente inequívocos. O senhor do Tradução Simultânea é claramente uma pessoa de bem.
Enfim, a senhora do Bomba Inteligente (uma página algo intimidante, a que acederia com muito mais frequência se soubesse como desactivar os assustadores ficheiros de som sem ter de colocar o meu sistema inteiro em mute) colocou-me no seu espaço de "destaques" diários. Interpretei imediatamente o gesto como um elogio. Mas depois do lanche, analisando a situação mais a frio, recordei o meu professor de Francês na Luísa de Gusmão (o deveras intimidante Professor Cardoso) que também tinha por hábito "destacar" largas secções dos meus testes escritos. E nenhuma das suas notas marginais traduzia uma intenção elogiosa. Portanto fico na dúvida. Mas em todo o caso, como disse ao Professor Cardoso no final do 9º ano, desculpe, obrigado por tudo, e desculpe.
Já o senhor do Tradução Simultânea, um dos blogs que visito com assiduidade, referiu-se a este espaço em termos embaraçosamente inequívocos. O senhor do Tradução Simultânea é claramente uma pessoa de bem.
Linha editorial

A todos os leitores que se têm queixado do enfraquecido caudal de fotografias de gatinhos e de mulheres que não moram na minha rua, o "Pastoral Portuguesa" pede paciência, confirmando que a linha editorial se mantém a mesma, ainda que, por vezes, seja necessário acumular intenções em espaços reduzidos.
Encíclica
Urge esclarecer aquele que é porventura o ponto mais nebuloso da doutrina teológica do "Pastoral Portuguesa": Sadi Carnot não é o Anticristo. Peço encarecidamente desculpa a quem tenha reajustado as suas crenças em conformidade com esta errónea inferência, e afirmo que nunca foi minha intenção induzir em erro o meu rebanho.
Não. O Anticristo (que está vivo, e entre nós) é Rudolf Clausius. Sadi Carnot é o Falso Profeta. Papel que, de resto, não deve ser, de forma alguma, menosprezado.
Não. O Anticristo (que está vivo, e entre nós) é Rudolf Clausius. Sadi Carnot é o Falso Profeta. Papel que, de resto, não deve ser, de forma alguma, menosprezado.
Sub-empreitada
Não me dei ao trabalho de verificar, mas creio que a curta história deste blog não regista o uso de qualquer turpilóquio.
A firme intenção de não abrir um precedente estilístico coíbe-me de alinhavar quaisquer comentários sobre o jogo de quarta-feira em Alvalade.
Mas não me impede de subscrever comentários alheios. Recomendo aos eventuais interessados que se despachem a ler o texto antes que o seu temperamental autor os oblitere (os comentários, não os interessados).
A firme intenção de não abrir um precedente estilístico coíbe-me de alinhavar quaisquer comentários sobre o jogo de quarta-feira em Alvalade.
Mas não me impede de subscrever comentários alheios. Recomendo aos eventuais interessados que se despachem a ler o texto antes que o seu temperamental autor os oblitere (os comentários, não os interessados).
Insónia
Suponho que o abuso de Carte Noir não ajude. Suponho que uma dieta literária nocturna à base de Henry James pós-1895 não ajude. Suponho que a irregularidade das rotinas não ajude.
Mas tenho a certezinha absoluta de que o estalar de fogos-de-artifício a esta hora, a 5 metros da janela do meu quarto, não contribui em nada para melhorar a situação.
Mas tenho a certezinha absoluta de que o estalar de fogos-de-artifício a esta hora, a 5 metros da janela do meu quarto, não contribui em nada para melhorar a situação.
quinta-feira, outubro 19, 2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
"...restricted to the point of non-existence..."
Armando Iannucci, um dos mais talentosos e originais comediantes britânicos, discorreu ontem, no Tate Britain Lecture 2006, sobre o que aconteceu à realidade nos últimos cinco anos.
Um excerto da sua palestra pode ser lido hoje no The Guardian.
Um excerto da sua palestra pode ser lido hoje no The Guardian.
Notícias do Reino
Aprendi hoje, numa paragem de autocarro em Edgbaston, perto da Universidade de Birmingham, que um estudante do 4º ano de Psicologia se tentou enforcar com uma corda de violoncelo, que foi mal sucedido, e que está agora a recuperar em casa de uma tia na Cornualha.
A rapariga que contou esta história a duas colegas indiferentes, lambia com inusitada sofreguidão um gelado de baunilha, apesar das baixas temperaturas que se começam a fazer sentir, e continuou a fazê-lo já dentro do autocarro, apesar de isso ser claramente proibido pelos regulamentos da Travel Midlands, como comprovam os avisos em vermelho-vivo espalhados pelos dois pisos do autocarro em questão (um dos quais, ironicamente, mesmo diante do lugar escolhido pela transgressora).
A rapariga que contou esta história a duas colegas indiferentes, lambia com inusitada sofreguidão um gelado de baunilha, apesar das baixas temperaturas que se começam a fazer sentir, e continuou a fazê-lo já dentro do autocarro, apesar de isso ser claramente proibido pelos regulamentos da Travel Midlands, como comprovam os avisos em vermelho-vivo espalhados pelos dois pisos do autocarro em questão (um dos quais, ironicamente, mesmo diante do lugar escolhido pela transgressora).
aspas aspas
Uma alma caridosa recomendou-me lecitina de soja para aliviar as minhas deficiências de memória, recalibrando porém o conselho com a seguinte advertência:
"Não julgues que uma memória melhor te vai resolver os problemas sociais. Eu sei as datas de aniversário de todos os meus amigos e familiares, mas como nunca sei em que dia estou, acabo por ficar na mesma."
O que fazer, perante tal panorama, senão suspirar? Por vezes, quando pondero estas coisas, só tenho vontade de repetir umas linhas de um certo conto de Fitzgerald, que viriam certamente iluminar esta matéria, mas das quais, infelizmente, não me recordo.
"Não julgues que uma memória melhor te vai resolver os problemas sociais. Eu sei as datas de aniversário de todos os meus amigos e familiares, mas como nunca sei em que dia estou, acabo por ficar na mesma."
O que fazer, perante tal panorama, senão suspirar? Por vezes, quando pondero estas coisas, só tenho vontade de repetir umas linhas de um certo conto de Fitzgerald, que viriam certamente iluminar esta matéria, mas das quais, infelizmente, não me recordo.
terça-feira, outubro 17, 2006
Mitridatismo
Projecto:
Na primeira semana, ler um conto de Henry James. Na segunda semana, ler dois contos de Henry James. Na terceira semana, ler...
Ir aumentando gradualmente as doses até ao Natal, e encetar a leitura de The Ambassadors no dia 1 de Janeiro de 2007, sem receio de intoxicação.
Na primeira semana, ler um conto de Henry James. Na segunda semana, ler dois contos de Henry James. Na terceira semana, ler...
Ir aumentando gradualmente as doses até ao Natal, e encetar a leitura de The Ambassadors no dia 1 de Janeiro de 2007, sem receio de intoxicação.
segunda-feira, outubro 16, 2006
E já agora
Não me parece despropositado aproveitar este momento para reiterar que o autor deste blog é, como a Grande Sombra que o tutela, veementemente a favor de todas as coisas boas e contra todas as coisas más.
"Tu lembras-te muito bem do que é que eu disse"
Começa a ganhar contornos de "padrão", e confesso que dos mais enfadonhos, isto de explicar constantemente às pessoas que, na esmagadora maioria dos casos, eu não me lembro mesmo do que é que foi dito.
Especialmente enfadonho quando o tenho de repetir a pessoas que se lembram muito bem que eu já lhes expliquei isto anteriormente.
Especialmente enfadonho quando o tenho de repetir a pessoas que se lembram muito bem que eu já lhes expliquei isto anteriormente.
domingo, outubro 15, 2006
1º Concurso "Pastoral Portuguesa"
Oferece-se uma barra de chocolate Lindt & Sprüngli (deluxe) a quem souber a resposta certa a esta pergunta?
Wikipedia is bad for you

O meu propósito era simples: encontrar uma boa foto de Bridget Moynahan, uma das actrizes mais bonitas que vi num ecrã de televisão nos últimos tempos. Estava tudo a correr bem. Aprendi que ela tem a tatuagem de uma lua verde no tornozelo e que, no liceu, atacou uma colega com uma rede de lacrosse. Os problemas começaram aqui: não tinha bem a certeza do que raio era lacrosse. Na minha resoluta ignorância sobre qualquer desporto que nunca tenha sido praticado pelo Sá Pinto, pelo Ivanisevic ou pelo Capablanca, imaginei uma coisa com cavalos e tacos compridos, mas sem balizas. Carreguei no link para confirmar. Feita a confirmação (não há cavalos nem tacos) lancei-me de cabeça para a página sobre Jean de Brébeuf, o missionário jesuíta que trouxe o jogo para a Europa depois de ter visto os Iroquois a jogar uma partidinha entre massacres. Esperem lá, Iroquois? Isto parece-me interessante... e por aí fora.
Utilizo a internet há seis anos e ainda não aprendi as duas regras cardinais: parar ao terceiro link, e nunca deixar comida no forno. Assim não há alarme de incêndio que resista.
Mas enfim, perguntem-me o que quiserem sobre o profeta Handsome Lake, Quakers, ou serviços de ambulâncias voluntários.
Capitalismo selvagem
Uma confissão:
Nas férias grandes de 1989, aproveitando um raro momento de distracção de um adversário volátil mas sempre leal, ergui um hotel na Rua do Ouro (Verde - Lisboa) quando nela tinha apenas três casas.
Amigo, desculpa.
Nas férias grandes de 1989, aproveitando um raro momento de distracção de um adversário volátil mas sempre leal, ergui um hotel na Rua do Ouro (Verde - Lisboa) quando nela tinha apenas três casas.
Amigo, desculpa.
Pódio
Actualização
Mais dois blogs que justificam inclusão na lista de favoritos. Um é de Gaia e já sai de casa sozinho; o outro é de Londres e ainda vem envolvido na placenta. Ainda é cedo, mas ambos me parecem dignos de atenção.
sábado, outubro 14, 2006
Uma dica do Edgar
Pesadelo II
Não me recordo - e julgo que aqui fica bem o advérbio "felizmente" - de muitos pormenores. Mas sei que o pesadelo, como quase todos os meus pesadelos, foi uma adaptação livre de uma certa fantasia de Chesterton transposta para o Prior Velho, e que teve a duração aproximada de 60 minutos, sem intervalo.
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