«Só provincianos ou apedeutas se impressionam com quem escreve para impressionar.»
(João "offending the audience" Coutinho)
segunda-feira, janeiro 07, 2008
domingo, janeiro 06, 2008
"Arranja um emprego"

Existe um espaço no Second Life dedicado a Pierre Bourdieu. Tanto quanto sei, ainda não existe nenhum dedicado a Luiz Pacheco, um homem simples e regrado, que morreu ontem, creio que pela primeira vez, e que, tal como eu, classificava os amigos em categorias muito pertinentes (cf. "O Homem que Calculava" in Exercícios de Estilo).
Um apartamento alugado, um senhorio escrupuloso, e um bairro virtual, com um elevado índice de magalas e criaditas, é o mínimo que ele merece.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Surf or nap?


(Apontamentos extraordinariamente úteis sobre o quiz de Vasco Pulido Valente: duas das citações (a de Vespasiano e a de Catão, o Velho) vêm no Suetónio; creio que a forma correcta é "sheep's clothing" e não "sheep's clothings"; o Catch-22 é muito menos engraçado do que julguei; Hans Johst tem as costas muito estreitas; tirando a do Candide, não consegui identificar nenhuma das citações em francês ("nem a do Madame Bovary??", como perguntou incredulamente um amigo irritante); não sei quem é o S. M. que foi comer uma merenda a Belém, mas se foi ao cafézinho em que eu estou a pensar, cometeu um grande erro.
A longo prazo, tendo a aborrecer-me com os políticos que me entusiasmam, e a entusiasmar-me com os que me aborrecem.)
Black Narcissus

(Porn poker: I see your lipstick and I'll raise you a Bible)
Já não se pode fumar na Cinemateca, mas ainda se pode escrever nas paredes da casa-de-banho. Em boa verdade, não entrava na casa-de-banho da Cinemateca para aí desde o ano 2000, e houve uma remodelação pelo meio. Creio que foi em 1999, numa maratona que incluiu o Nosferatu do Murnau, que tive a brilhante brilhante ideia de escrever REDRUM por cima dos urinóis, a caneta de feltro vermelha. (Fui um adolescente adorável, criativo, empreendedor, mas juro que não sei porque é que andava com canetas de feltro nos bolsos). De qualquer maneira, apraz-me revelar que a tradição foi mantida, se bem que, infelizmente, por alguém pouco dado ao feng shui Kubrickiano: o REDRUM actual encontra-se - num horrível azul-bebé, e com apenas metade das letras invertidas - numa parede perpendicular ao espelho, o que destrói totalmente o efeito pretendido.
Sobre o Black Narcissus propriamente dito é que este post não é, mas sobre isso já não há nada a fazer.
Claxon
(Um leitor parcialmente identificado teve a amabilidade de me enviar a imagem que faltava a um post ali em baixo. Não sendo fácil resistir à tentação de voltar a mencionar James Wood, cabe-me informar que um princípio ideológico normalmente não-negociável vai ser subvertido e que, nos próximos meses, vai vigorar neste blogue um sistema de quotas: James Wood vai ter direito, no máximo, a três citações mensais, e o Julinho a duas. Estas não contam; e se deixasse isto à mão invisível, acabava por não citar mais ninguém. Entretanto, esta campa deve estar neste momento a ser palco de incrédulas e acrobáticas contorções, mas isso é outro post, certamente, e não este. Tenho de começar a pôr ordem nisto dos posts.)terça-feira, janeiro 01, 2008
Isaac, the tailor
Por motivos que, na imortal formulação de Valdemar Duarte na Rádio Renascença, não vale a pena estar agora aqui a escalpelizar, passei a noite de ano novo no meu sofá, a beber ice-tea da Lipton, e a comer amendoins. (Os líquidos e salgadinhos consumidos no resto da casa também não vão ser agora aqui escalpelizados). Nada diz "réveillon" como três horas de sobriedade.
Houve sobriedade em abundância na RTP2, que passou a versão heterossexual de Brokeback Mountain, também conhecida pelo título original As Pontes de Madison County. Ao longo de um interminável flashback, foi sobriamente demonstrado que Meryl Streep era uma mulher e que Clint Eastwood era um homem. Nenhum deles era um cowboy hermafrodita alcoólico, facto que teria porventura resultado num filme mais imprevisível.
A RTP1 decidiu inovar. O conceito era "comédia em directo". Os executantes eram os Gato Fedorento. O shtick era "réveillon dos anos 80". Precedendo o programa propriamente dito, um especial de 45 minutos revelou a cornucópia de meios técnicos necessários para que "a comédia" pudesse acontecer "em directo". Um operador de câmara confidenciou à repórter de serviço que o seu equipamento tinha uma extensão de nove metros e pesava uma tonelada, mas disse-o num tom demasiado sóbrio para o efeito brejeiro desejado.
Grande parte do impacto inovador foi amortecido pela espionagem industrial da SIC e da TVI, que decidiram também elas transmitir em directo programas de humor com uma forte atmosfera anos-80, traiçoeiramente camuflados de concursos do século XXI. Se os Gatos tinham na manga um trunfo internacional chamado Sabrina (uma irónica e pós-moderna referência cultural para pessoas com 3 ou 4 anos a mais que eu), a TVI sacou de um astro chamado Isaac Alfaiate, um jovem saído de um conto de Bernard Malamud, que rapidamente se impôs como a grande estrela da noite.
Presos a um formato que não os beneficia (o sofá, e falo por experiência, não potencia a excelência criativa), os Gatos fizeram o seu melhor, mas a imaginação por detrás dos sketches da TVI era claramente superior. Isaac Alfaiate, ainda assombrado por memórias de Buchenwald, e acompanhado por outro personagem de nome "João Cajuda", lançou-se numa elaborada rotina chamada "Cama Elástica", que consistia em estar aproximadamente oito minutos aos saltos em cima de uma cama elástica. Júlia Pinheiro tentou pôr as coisas em perspectiva: "Já alguma vez tinhas saltado em cima de uma cama elástica?" "Não, nunca", confessou Isaac. "De uma cama normal já, mas de uma cama elástica, nunca". "Como é que foi?", perguntou Júlia, curiosa. "Não tenho palavras", explicou Isaac, eloquente.
Houve sobriedade em abundância na RTP2, que passou a versão heterossexual de Brokeback Mountain, também conhecida pelo título original As Pontes de Madison County. Ao longo de um interminável flashback, foi sobriamente demonstrado que Meryl Streep era uma mulher e que Clint Eastwood era um homem. Nenhum deles era um cowboy hermafrodita alcoólico, facto que teria porventura resultado num filme mais imprevisível.
A RTP1 decidiu inovar. O conceito era "comédia em directo". Os executantes eram os Gato Fedorento. O shtick era "réveillon dos anos 80". Precedendo o programa propriamente dito, um especial de 45 minutos revelou a cornucópia de meios técnicos necessários para que "a comédia" pudesse acontecer "em directo". Um operador de câmara confidenciou à repórter de serviço que o seu equipamento tinha uma extensão de nove metros e pesava uma tonelada, mas disse-o num tom demasiado sóbrio para o efeito brejeiro desejado.
Grande parte do impacto inovador foi amortecido pela espionagem industrial da SIC e da TVI, que decidiram também elas transmitir em directo programas de humor com uma forte atmosfera anos-80, traiçoeiramente camuflados de concursos do século XXI. Se os Gatos tinham na manga um trunfo internacional chamado Sabrina (uma irónica e pós-moderna referência cultural para pessoas com 3 ou 4 anos a mais que eu), a TVI sacou de um astro chamado Isaac Alfaiate, um jovem saído de um conto de Bernard Malamud, que rapidamente se impôs como a grande estrela da noite.
Presos a um formato que não os beneficia (o sofá, e falo por experiência, não potencia a excelência criativa), os Gatos fizeram o seu melhor, mas a imaginação por detrás dos sketches da TVI era claramente superior. Isaac Alfaiate, ainda assombrado por memórias de Buchenwald, e acompanhado por outro personagem de nome "João Cajuda", lançou-se numa elaborada rotina chamada "Cama Elástica", que consistia em estar aproximadamente oito minutos aos saltos em cima de uma cama elástica. Júlia Pinheiro tentou pôr as coisas em perspectiva: "Já alguma vez tinhas saltado em cima de uma cama elástica?" "Não, nunca", confessou Isaac. "De uma cama normal já, mas de uma cama elástica, nunca". "Como é que foi?", perguntou Júlia, curiosa. "Não tenho palavras", explicou Isaac, eloquente.
A escassez de palavras era, aliás, generalizada. Na SIC, onde, pelo que consegui perceber, três famílias (Cardoso, Azevedo e Adams) testavam novos métodos de interrogação para a CIA, o problema era ainda mais sério. Os membros do júri indicavam constantemente, através de palavras, que não tinham palavras para descrever o que sentiam. Bárbara Guimarães, cuja capacidade para improvisar em directo faz Júlia Pinheiro parecer o Johnny Carson, bem insistia, mas ninguém era capaz de produzir as palavras que a situação merecia. Tozé Brito encolhia os ombros e dizia que não tinha palavras. As sobrancelhas de Tozé Brito, duas entidades autónomas que mereciam o seu próprio filme de David Lynch, contorciam-se silenciosamente. Clara de Sousa confessou também ela ter sido separada das suas palavras. A situação só não era desesperante porque, do outro lado de Lisboa, Júlia Pinheiro, em plena hemorragia lexical, produzia correntes ternárias de palavras para aplicar a qualquer coisa que lhe passasse pela frente. Um passo de dança não era apenas "belíssimo"; era "belíssimo", "mágico" e "poderoso". Um vestido não era apenas "belíssimo"; era "belíssimo", "magnífico" e "poderoso". Isaac Alfaiate, cujo talento apenas posso descrever como soberbo, inquestionável e poderoso, regressou ao palco acompanhado por uma rapariga chamada Magali, para uma rotina chamada "Salsa", que consistia em parodiar os passos de dança habitualmente associados à Salsa. Isaac, que é filho de um merceeiro judeu de Newark que deve dinheiro ao seu senhorio gentio, agarrou em dois dos membros de Magali e fingiu arremessá-la com violência na direcção do palco. Magali fechou os olhos e sorriu, o seu rosto rodopiando a centímetros do chão, perante o olhar aprovador do noivo, que se encontrava na audiência, e que a deve ter achado mais do que preparada para a vida conjugal.
Na SIC, a família Azevedo celebrava efusivamente o que assumo ter sido a sua vitória. Receberam cinquenta mil euros e foram logo enfiados num Hércules C-130 para Langley, Virginia, onde têm um briefing às mil e seiscentas horas. Abu Ghraib treme. Uma comovida Bárbara Guimarães anunciou que Camilo Castelo Branco iria cantar "Diamonds Are a Girl's Best Friends"; meros segundos depois, José Castelo Branco cantou "Diamonds Are Forever". Luisa Castelo Branco podia ter cantado "Diamond Dogs", mas estava na TVI, frustradíssima com a língua portuguesa. Isaac Alfaiate, com o olhar perdido no horizonte, pensava na sua infância remota, num shtetl lituano. Magali venceu e foi autorizada a casar-se com o noivo, ali mesmo, em directo. Os derrotados vão ter de passar pela vergonha e ostracismo social associados a um mero casamento com transmissão em diferido. 2008, segundo a opinião consensual, vai ser "excelente", "espectacular" e "poderoso". 2008 está já aqui. Não há palavras para o que vai ser 2008.
sábado, dezembro 29, 2007
Agradeço a P. o seu negrito, mas também
Bom, se fosse um teste, vocês tinham falhado. É claro que não foi ao James Wood que cresceu uma vulva no abdómen (post anterior). O crítico literário da New Yorker não anda por aí com vulvas no abdómen. Referia-me, naturalmente, ao actor James Woods, que se pode ver abaixo, enfiando a mão enfim, de uma forma que só alguém muito cínico poderia descrever como "fazendo crítica literária para a New Yorker":

O verdadeiro James Wood é este senhor_

_ que nesta imagem específica foi apanhado a fazer, não crítica literária para a New Yorker, mas sim uma mímica quase-perfeita daquele actor português que interpretou o detective privado Claxon, e que também entrou no Major Alvega. Graças à IMDb, descobri que o senhor se chama António Cordeiro, informação que se viria a revelar inútil na demanda de uma imagem sua de tamanho blogável. A introdução dos termos de busca "António Cordeiro" no Google Images levou-me à página da cidade brasileira de Congonhas, a um site sobre Antonio Gramsci, e a inúmeras ilustrações de modelismo náutico, mas, para grande desilusão minha, a nenhum retrato icónico de António Cordeiro, de sobretudo e fedora cinzento, "fazendo crítica literária para a New Yorker" na personagem de Margarida Reis.
Tudo isto é grave, mas não tão grave como a inconsistência gráfica que rodeia o nome "Rogério Casanova". Se as pessoas insistem em não colocar aspas à minha volta (o que acho inconcebível), o mínimo que podiam fazer era mostrar um bocadinho de criatividade; como o Lourenço, por exemplo, que insiste em chamar-me Rodrigo Casanova (sem aspas, mas com dignidade). Uma excelente passagem de ano para ele, e para todos vós, são os meus votos, diria, quase ardentes.
(Por falar em Lourenços: o Claxon não é um primo afastado, não?)

O verdadeiro James Wood é este senhor_

_ que nesta imagem específica foi apanhado a fazer, não crítica literária para a New Yorker, mas sim uma mímica quase-perfeita daquele actor português que interpretou o detective privado Claxon, e que também entrou no Major Alvega. Graças à IMDb, descobri que o senhor se chama António Cordeiro, informação que se viria a revelar inútil na demanda de uma imagem sua de tamanho blogável. A introdução dos termos de busca "António Cordeiro" no Google Images levou-me à página da cidade brasileira de Congonhas, a um site sobre Antonio Gramsci, e a inúmeras ilustrações de modelismo náutico, mas, para grande desilusão minha, a nenhum retrato icónico de António Cordeiro, de sobretudo e fedora cinzento, "fazendo crítica literária para a New Yorker" na personagem de Margarida Reis.
Tudo isto é grave, mas não tão grave como a inconsistência gráfica que rodeia o nome "Rogério Casanova". Se as pessoas insistem em não colocar aspas à minha volta (o que acho inconcebível), o mínimo que podiam fazer era mostrar um bocadinho de criatividade; como o Lourenço, por exemplo, que insiste em chamar-me Rodrigo Casanova (sem aspas, mas com dignidade). Uma excelente passagem de ano para ele, e para todos vós, são os meus votos, diria, quase ardentes.
(Por falar em Lourenços: o Claxon não é um primo afastado, não?)
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Cold turkey

Gosto muito de David Cronenberg. Sempre gostei, mais até do que seria razoável gostar de qualquer canadiano (atravesso um problema semelhante com algumas bandas recentes). E todos aqueles que, como eu, encontram pacatas epifanias em metáforas toxicológicas, já devem ter reparado no seguinte: Cronenberg é um canadiano que, artisticamente falando, não se mete nas drogas. O que nunca impediu alguns dos seus filmes mais antigos de serem descritos como "alucinatórios", como se o homem andasse por aí a impingir ácido às crianças
Quando o abdómen de James Wood se transforma numa vulva para ler VHS, ou a máquina de escrever de Peter Weller começa a mexer as antenas e a falar, não estamos no meio do deserto com os xamãs de Oliver Stone, nem sequer no domínio lúdico do "surreal" (outro termo crítico tão escorregadio que é impossível agarrá-lo sem expor o derrière aos sodomitas semânticos), mas sim numa espécie de realidade intensificada. Nas mãos de outro realizador, essas cenas seriam fragmentos etéreos, observados ao ralenti, através de uma névoa de mescalina. Cronenberg arregaça as pálpebras e salpica tudo com diluente. Se há uma analogia tóxica a utilizar, esta não envolve drops ou cogumelos, mas sim o processo de desintoxicação. A imaginação visual de Cronenberg sempre foi a do ex-alcoólico: aquele que não toca numa gota há anos, e cujos sentidos assimilam tudo com a clareza suja da privação. Isto, pelo menos, é a maneira como as coisas se me afiguram nesta quadra festiva.
Eastern Promises, apesar do meticuloso esforço de Vincent Cassell para estragar todas as cenas em que entra, é um grande filme. Aquele fotograma, que encontrei por pura sorte num site francês, é da minha sequência preferida, a primeira visita da enfermeira ao restaurante. É um momentozinho de nada, antes das tatuagens à Caravaggio, da gorjeta iconográfica, do wrestling na sauna: a caminho da cozinha, o personagem de Mueller-Stahl faz uma pausa para corrigir o ensaio musical das duas crianças, e Naomi Watts fica ali especada no enquadramento, à vontade uns trinta segundos, alheada da cena, sem sequer representar.
Naomi Watts a fazer de figurante enquanto um mafioso careca de avental toca violino: isto sim, é cinema. Ou, pelo menos, é a maneira como as coisas se me afiguram nesta quadra festiva.
Ali v Frazier
«(. . .) the feud is escalating into philosophy's equivalent of a prize fight between two former colleagues who are both among the showiest brawlers in the philosophy dojo. In one corner is McGinn, 57, West Hartlepool-born professor of philosophy at the University of Miami, and the self-styled hard man of philosophy book reviewing. In the other corner is Honderich, 74, Ontario-born Grote Professor Emeritus of the philosophy of mind and logic at University College London, and a man once described by fellow philosopher Roger Scruton as the "thinking man's unthinking man". They are using all the modern weapons at their disposal - blogs, emails, demands for compensation from the academic journal that published the original review, an online counter-review, and an online counter-counter-review.
The heart of their dispute, though, may not be over intellectual matters at all, but about something one of them said more than a quarter of a century ago about the other's ex-girlfriend (of which more later).»
O resto aqui.
The heart of their dispute, though, may not be over intellectual matters at all, but about something one of them said more than a quarter of a century ago about the other's ex-girlfriend (of which more later).»
O resto aqui.
E o vosso Natal, como foi?
Eu levei a minha mãe ao Saldanha Residence, para ver o último filme do Cronenberg.
terça-feira, dezembro 25, 2007
segunda-feira, dezembro 24, 2007
domingo, dezembro 23, 2007
Seis euros e meio

«Miss Obrestad's route to the grand prize - dumped on the final table in bundles of $50 notes, as in the World Series tradition - required her to see off such modern-day poker luminaries as Chris "Jesus" Ferguson, a hirsute scholar of game theory, Dave "Devilfish" Ulliott, a somewhat less cerebral but wily British professional who wears diamond-encrusted knuckle-dusters, and Phil "Poker Brat" Hellmuth, arguably the most celebrated (not least by himself) modern player.»
("Poker: A big deal")
«The captive panda breeding programme has undergone a remarkable transformation. Long-held beliefs about the animal's reproductive capacities have been shattered. No longer are desperate keepers feeding Viagra to underperforming males (that didn't work anyway). Researchers have given up ideas of cloning them. Good old-fashioned sex is now doing the trick. . .»
("The sex life of the panda: Black and white and red all over")
«There are prayer books in everyday vernacular or even street slang ("And even though I walk through/the Hood of death/ I don't back down/ 'coz you have my back"). Or consider innovation. In 2003 Thomas Nelson dreamt up the idea of Bible-zines - crosses between Bibles and teenage magazines. The pioneer was Revolve, which intercuts the New Testament with beauty tips and relationship advice ("are you dating a Godly guy?"). (. . .) There are toddler-friendly versions of the most famous Bible stories. The Boy's Bible promises "gross and gory Bible stuff". God's Little Princess Devotional Bible is pink and sparkly.»
("The Bible v the Koran: the battle of the books")
("Poker: A big deal")
«The captive panda breeding programme has undergone a remarkable transformation. Long-held beliefs about the animal's reproductive capacities have been shattered. No longer are desperate keepers feeding Viagra to underperforming males (that didn't work anyway). Researchers have given up ideas of cloning them. Good old-fashioned sex is now doing the trick. . .»
("The sex life of the panda: Black and white and red all over")
«There are prayer books in everyday vernacular or even street slang ("And even though I walk through/the Hood of death/ I don't back down/ 'coz you have my back"). Or consider innovation. In 2003 Thomas Nelson dreamt up the idea of Bible-zines - crosses between Bibles and teenage magazines. The pioneer was Revolve, which intercuts the New Testament with beauty tips and relationship advice ("are you dating a Godly guy?"). (. . .) There are toddler-friendly versions of the most famous Bible stories. The Boy's Bible promises "gross and gory Bible stuff". God's Little Princess Devotional Bible is pink and sparkly.»
("The Bible v the Koran: the battle of the books")
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Fui à Byblos
Uma livraria que, fazendo jus à sua designação, está repleta de livros. É sempre o primeiro erro que estes sítios cometem.
E encontrá-la? Não foi nada fácil de encontrar, a Byblos. Não sei por que carga de água, tinha metido na cabeça que a Byblos ficava no edifício do Amoreiras. Não fica. Tive de pedir indicações a dois transeuntes (que me confessaram, algo embaraçadamente, que também não sabiam onde ficava a Byblos) até que um segurança me salvou a tarde: «Aquela nova loja grande, que vende livros do Miguel Sousa Tavares? Isso não é aqui, é naquele edifício espelhado lá ao fundo».
Não foi nada fácil de achar, aquele edifício espelhado lá ao fundo. Tive de pedir indicações a dois transeuntes (que me confessaram, algo embaraçadamente, que também não sabiam onde ficava aquele edifício espelhado lá ao fundo), até que vi um terceiro transeunte com um livro de Miguel Sousa Tavares debaixo do braço: «É por aqui é, amigo! Pode entrar por aquela portinha giratória naquele edifício espelhado já ali ao fundo, está a ver? Não se preocupe que ainda lá têm muitos livros do Miguel Sousa Tavares».
O que vi lá dentro excedeu todas a minhas expectativas, no sentido em que não fez nada disso, e não me refiro apenas ao número disponível de livros de Miguel Sousa Tavares. A configuração do espaço, para começar, é original, na medida em que não me remeteu para nenhum dos modelos que conheço para superfícies deste género (tem muito pouco a ver com as Fnacs ou com as Waterstones). Há toques verdadeiramente inspirados, como a alcatifa estilo-Weimar, a iluminação sociopata, uns candeeiros nas zonas de leitura claramente modelados nos secadores de um salão de cabeleireira, e as ubíquas pilhas de livros de Miguel Sousa Tavares. Toda a atmosfera, aliás (com excepção dos livros de Miguel Sousa Tavares), evoca um pouco aquelas festas muito populares nos anos 70, em que se metiam as chaves do carro numa terrina de vidro. Não faço ideia quem terá sido o responsável pela decoração, mas aposto que tem bigode, que usa um roupão bordado com as suas iniciais, e que gosta de Barry White.
A arrumação nas secções revelou alguns sinais de espirituoso anarquismo, mas tudo pode não ser mais do que, como disse o Zé Mário, a "vertigem da urgência". Ainda assim, foi transtornante encontrar o Fora do Mundo, do Pedro Mexia, na estante da Sociologia, entre um livro de entrevistas a Carlos Pinto Coelho e um romance histórico de Miguel Sousa Tavares.
A secção de Ficção em português é imensa, e está competentemente dividida em cinco sub-secções: Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira, Literatura Africana, Autores Traduzidos, e Miguel Sousa Tavares. A dos livros estrangeiros foi uma semi-desilusão: pareceu-me ficar aquém da Fnac do Chiado. Ainda assim, vale a pena espreitar a estante dos Penguins, onde os 20th Century Classics, os Modern Classics e aqueloutros Classics baratinhos, com capas cor-de-sabonete-Dove, têm todos direito a duas prateleiras cada. Entre os primeiros - lombadas cinzentas - podem encontrar o Call it Sleep, escrito por um Roth que não era Philip nem Joseph nem Miguel Sousa Tavares, mas que era tão bom quanto eles. Custa 16 euros e 20. E mesmo ao lado, no estaminé das novidades, um belíssimo paperback do Against the Day! Tomei a liberdade de lá enfiar um papelinho com o meu nome e número de telefone, na eventualidade de o comprador querer esclarecer alguma dúvida, ou simplesmente ser meu amigo. Realço também o ecletismo, que não se limita à habitual tríade Inglês-Francês-Castelhano; podem encontrar, para dar um exemplo, traduções do último romance de Miguel Sousa Tavares em italiano, romeno, bengali, mandarim, esperanto, braille e hobbit. Para breve, seguramente, uma edição interactiva em linguagem gestual.
Não foi nada fácil de achar, aquele edifício espelhado lá ao fundo. Tive de pedir indicações a dois transeuntes (que me confessaram, algo embaraçadamente, que também não sabiam onde ficava aquele edifício espelhado lá ao fundo), até que vi um terceiro transeunte com um livro de Miguel Sousa Tavares debaixo do braço: «É por aqui é, amigo! Pode entrar por aquela portinha giratória naquele edifício espelhado já ali ao fundo, está a ver? Não se preocupe que ainda lá têm muitos livros do Miguel Sousa Tavares».
O que vi lá dentro excedeu todas a minhas expectativas, no sentido em que não fez nada disso, e não me refiro apenas ao número disponível de livros de Miguel Sousa Tavares. A configuração do espaço, para começar, é original, na medida em que não me remeteu para nenhum dos modelos que conheço para superfícies deste género (tem muito pouco a ver com as Fnacs ou com as Waterstones). Há toques verdadeiramente inspirados, como a alcatifa estilo-Weimar, a iluminação sociopata, uns candeeiros nas zonas de leitura claramente modelados nos secadores de um salão de cabeleireira, e as ubíquas pilhas de livros de Miguel Sousa Tavares. Toda a atmosfera, aliás (com excepção dos livros de Miguel Sousa Tavares), evoca um pouco aquelas festas muito populares nos anos 70, em que se metiam as chaves do carro numa terrina de vidro. Não faço ideia quem terá sido o responsável pela decoração, mas aposto que tem bigode, que usa um roupão bordado com as suas iniciais, e que gosta de Barry White.
A arrumação nas secções revelou alguns sinais de espirituoso anarquismo, mas tudo pode não ser mais do que, como disse o Zé Mário, a "vertigem da urgência". Ainda assim, foi transtornante encontrar o Fora do Mundo, do Pedro Mexia, na estante da Sociologia, entre um livro de entrevistas a Carlos Pinto Coelho e um romance histórico de Miguel Sousa Tavares.
A secção de Ficção em português é imensa, e está competentemente dividida em cinco sub-secções: Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira, Literatura Africana, Autores Traduzidos, e Miguel Sousa Tavares. A dos livros estrangeiros foi uma semi-desilusão: pareceu-me ficar aquém da Fnac do Chiado. Ainda assim, vale a pena espreitar a estante dos Penguins, onde os 20th Century Classics, os Modern Classics e aqueloutros Classics baratinhos, com capas cor-de-sabonete-Dove, têm todos direito a duas prateleiras cada. Entre os primeiros - lombadas cinzentas - podem encontrar o Call it Sleep, escrito por um Roth que não era Philip nem Joseph nem Miguel Sousa Tavares, mas que era tão bom quanto eles. Custa 16 euros e 20. E mesmo ao lado, no estaminé das novidades, um belíssimo paperback do Against the Day! Tomei a liberdade de lá enfiar um papelinho com o meu nome e número de telefone, na eventualidade de o comprador querer esclarecer alguma dúvida, ou simplesmente ser meu amigo. Realço também o ecletismo, que não se limita à habitual tríade Inglês-Francês-Castelhano; podem encontrar, para dar um exemplo, traduções do último romance de Miguel Sousa Tavares em italiano, romeno, bengali, mandarim, esperanto, braille e hobbit. Para breve, seguramente, uma edição interactiva em linguagem gestual.
Uma nota final sobre a secção de Ciência-Para-Os-Muito-Muito-Leigos, que também me pareceu algo fraquinha: cinco míseras prateleiras, estrategicamente colocadas de forma a que quem venha de lá com o The Ancestor's Tale do Dawkins (13 euros e 20), tenha de passar por quarenta edições ilustradas do Antigo Testamento (com comentário e notas de Miguel Sousa Tavares) antes de chegar à caixa. Gostei muito das escadas rolantes. O aspecto mais negativo de todos é a chuva. Não é que chova lá dentro, mas ainda assim, acho que deviam fazer alguma coisa sobre o assunto.
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Eu e Os Presidentes: uma comédia romântica

Passei a semana enrolado com este livro , mas não foi nada fácil. Sempre tive um fraquinho por Presidentes. O fetiche não é monolítico, nem me cega aos encantos do resto da Espécie: gosto de Reis, sou brejeiro com Caudilhos e quando passo por um Kaiser mais roliço na rua, também lhe lanço os mirones. Mas são os Presidentes que me deixam os joelhos a tremer e me fazem ouvir passarinhos.
Quando vi estes Presidentes na Fnac soube logo que estava em apuros. Não me atirei de cabeça, mas senti uma reciprocidade faiscante, indicativa de que os Presidentes também engraçaram comigo. Houve trocas de olhares, houve encostos furtivos; houve química. A corte foi curta. Os Presidentes estavam vulneráveis, vinham de uma relação tumultuosa (com o Stephen Graubard, que os escreveu), e acabei por sair com eles debaixo do braço ao fim de dois dias.
Há quem não goste de Presidentes. Os vice-presidentes não os suportam. Os monárquicos acham-nos feios. O Mencken desprezava-os: o seu Presidente favorito era Calvin Coolidge, que transformou o seu mandato numa longa e inócua siesta :«He had no ideas, and he was not a nuisance». (Mencken nunca teria votado em mim, já agora: ando com uma média de três horas de sono por dia, o que me transforma numa monumental nuisance).
Stephen Graubard é um caso mais complicado: ele gosta claramente de Presidentes, mas é aquele amor doentio, possessivo, fechado, que resulta frequentemente em violência doméstica. O seu ciúme é totalitário; os Presidentes, com ele, não têm autorização para se pintarem, nem para usarem decotes. Eu, mesmo nos momentos menos lúcidos, sei do que gosto nos meus Presidentes, e sou esteticamente tolerante (caracóis soltos, baton discreto, um bocadinho de perna à mostra). Graubard só os quer enrolados em sarapilheira, e a fazer ponto-cruz no quarto dos fundos.
Não é fácil abordar um livro assombrado por um passado tão problemático. Dei o meu melhor: passeei de mão dada com os Presidentes ao som de Elvis Costello, levei os Presidentes a jantar, fingi interesse nos seus problemas. Ouvi a história dos Presidentes com compaixão atenta. Fiquei ali sentado enquanto os Presidentes soluçavam e se atafulhavam daquela comida pós-moderna que não teve papá nem mamã. Graubard, explicaram-me eles, não tinha más intenções (já ouvi esta tantas vezes). Graubard era capaz de momentos doces, em privado. Graubard tinha uma teoria.
Graubard queria provar que é o Homem que molda o Cargo, e não o contrário. Graubard queria demonstrar que a pujança institucional - real e simbólica - da Presidência dos Estados Unidos sofre expansões ou contracções de acordo com a gravitas do seu ocupante, mas que o excesso de elasticidade sistémica, e a natureza intangível dos processos de evolução institucional, resultam numa tranferência de poderes para sucessores menos capazes. Graubard queria fazer tudo isto sem transformar o exercício numa prosaica procissão de heróis e vilões. Nesta linha, não se entusiasmou tanto como o raposão Paul Johnson, que, no seu espartilho revisionista – cujo recomendável programa era estilhaçar o mito de Camelot e a sua ressurreição Clintoniana – conseguiu transformar Nixon num mártir e Reagan num colosso intelectual. Graubard tem as suas preferências (Roosevelt I, Roosevelt II e Truman), nomeia os seus trapalhões (Harding e Eisenhower) e as suas nulidades (JFK, Carter e Bush I), mas consegue fazê-lo sem cair na histeria das claques sectárias.
Tudo isto resulta, e convence; e tudo se percebe nas primeiras páginas. O pior é o resto, que é pouco mais do que uma desavergonhada sessão de bitch-slapping verbal, prolongada por quase novecentas páginas.
Consideremos a seguinte salganhada semântica, do capítulo sobre Warren Harding:
«The first President born after the Civil War, in Blooming Grove, Ohio, the oldest of six children who survived, his middle name, Galamiel, chosen by his devoutly religious mother, reflected her pride in a son who could bear the name of the teacher of Saint Paul, noted for his tolerant and pacific nature.» Isto é um grand slam de prosa amnésica; a frase (que, dada a evidente falta de talento, devia ser três) vai-se esquecendo de si própria a caminho do ponto final.
As coisas pioram:
«These words, never heard by the American public, still shielded from such obscenities, learned only that the vice-president had bested the Soviet leader in their kitchen debate where the vice president, sweating profusely, went ‘toe-to-toe’ – Nixon’s words – with the chairman and scored impressively.» Aqui Graubard perde mesmo a compostura: não se devia fazer isto à língua inglesa, muito menos em público. Temos o dangling modifier, temos a repetição evitável, temos o despejo de clichés, temos os advérbios de modo penosamente mal escolhidos e mal colocados, temos a injecção de vernáculo com um apêndice ridículo. . . A única maneira de tornar esta frase mais feia seria enfiar-lhe uma peruca de palhaço e crescer-lhe um bigode.
Consideremos a seguinte salganhada semântica, do capítulo sobre Warren Harding:
«The first President born after the Civil War, in Blooming Grove, Ohio, the oldest of six children who survived, his middle name, Galamiel, chosen by his devoutly religious mother, reflected her pride in a son who could bear the name of the teacher of Saint Paul, noted for his tolerant and pacific nature.» Isto é um grand slam de prosa amnésica; a frase (que, dada a evidente falta de talento, devia ser três) vai-se esquecendo de si própria a caminho do ponto final.
As coisas pioram:
«These words, never heard by the American public, still shielded from such obscenities, learned only that the vice-president had bested the Soviet leader in their kitchen debate where the vice president, sweating profusely, went ‘toe-to-toe’ – Nixon’s words – with the chairman and scored impressively.» Aqui Graubard perde mesmo a compostura: não se devia fazer isto à língua inglesa, muito menos em público. Temos o dangling modifier, temos a repetição evitável, temos o despejo de clichés, temos os advérbios de modo penosamente mal escolhidos e mal colocados, temos a injecção de vernáculo com um apêndice ridículo. . . A única maneira de tornar esta frase mais feia seria enfiar-lhe uma peruca de palhaço e crescer-lhe um bigode.
Os dois exemplos não foram escolhidos a dedo: representam o modo de expressão básico do autor. Como é que os Presidentes se sujeitaram a esta prosa? Porque é que não saíram de casa com a mala às costas, e telefonaram para um advogado? A elogiosa citação da capa, para quem não tiver lupa, é de Peter Jay, da Spectator: «Gallops through the century with style, wit and scrumptious readability». 'Style' e 'wit', diz ele. Não sei quem é Peter Jay, mas deve ser o tipo de pessoa que defende que entre autor e Presidentes não se mete a colher. Ou então acha que os Presidentes estavam a pedi-las.
Fiz o que pude, mas nenhuma relação séria e duradoura floresce neste pântano. Paguei a sobremesa e o café aos Presidentes, mas venho aqui informar-vos de que eles estão disponíveis.
Fade out. Robbie Williams.
sábado, dezembro 15, 2007
Badass Bible Verses para o fim-de-semana
«And call ye on the name of your gods, and I will call on the name of the LORD: and the God that answereth by fire, let him be God. And all the people answered and said, It is well spoken.
(. . .)
Then the fire of the LORD fell, and consumed the burnt sacrifice, and the wood, and the stones, and the dust, and licked up the water that was in the trench. And when all the people saw it, they fell on their faces: and they said, The LORD, he is the God; the LORD, he is the God. And Elijah said unto them, Take the prophets of Baal; let not one of them escape. And they took them: and Elijah brought them down to the brook Kishon, and slew them there.»
(1 Kings 18: 24, 38-40)
That is how they used to do religious debates back in the day.
The situation was that people of Israel had taken to Baal worship, a faith that added a lot of whores to its rituals and thus gained immediate popularity. Elijah (not the one with the bears, that was Elisha) decided that the people had to choose between Baal and God.
Rather than write a series of books or give a bunch of boring speeches, Elijah invited 450 Baal prophets to a contest, where both sides would set up an animal sacrifice. Whichever God could rain down fire on its sacrifice would be the one everybody worshiped.
It's brilliant in its simplicity, and we're surprised religious debates were ever carried out any other way after that. You can raise all the intellectual challenges you want about faith and the origins of the universe, but at the end of the day, you have to worship the god who can set you on fire. It's common sense.
We like to think Elijah stood in front of the howling column of heavenly fire, straightened his robes, turned to the crowd and said, "Thus, my opponent's argument falls." Then, he finished the debate in the way that all debates should be finished: by having the losers slaughtered.
(. . .)
Then the fire of the LORD fell, and consumed the burnt sacrifice, and the wood, and the stones, and the dust, and licked up the water that was in the trench. And when all the people saw it, they fell on their faces: and they said, The LORD, he is the God; the LORD, he is the God. And Elijah said unto them, Take the prophets of Baal; let not one of them escape. And they took them: and Elijah brought them down to the brook Kishon, and slew them there.»
(1 Kings 18: 24, 38-40)
That is how they used to do religious debates back in the day.
The situation was that people of Israel had taken to Baal worship, a faith that added a lot of whores to its rituals and thus gained immediate popularity. Elijah (not the one with the bears, that was Elisha) decided that the people had to choose between Baal and God.
Rather than write a series of books or give a bunch of boring speeches, Elijah invited 450 Baal prophets to a contest, where both sides would set up an animal sacrifice. Whichever God could rain down fire on its sacrifice would be the one everybody worshiped.
It's brilliant in its simplicity, and we're surprised religious debates were ever carried out any other way after that. You can raise all the intellectual challenges you want about faith and the origins of the universe, but at the end of the day, you have to worship the god who can set you on fire. It's common sense.
We like to think Elijah stood in front of the howling column of heavenly fire, straightened his robes, turned to the crowd and said, "Thus, my opponent's argument falls." Then, he finished the debate in the way that all debates should be finished: by having the losers slaughtered.
(Link recebido por mail, de um leitor irritantemente não-identificado)
Estes putos de hoje em dia
O combate entre Ali e Foreman no Zaire foi um ano antes desse épico em Manila.
Se desconhecias estes factos (que desconhecias), agradecia que não me voltasses a dirigir mails (só links).
Com esta parte concordo.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Blogues 2007 (com poucos links, senão nunca mais saía daqui)
O blogue do ano é sempre o Kleist, mesmo que só escreva um post por semana. Os seguintes seriam a Memória, a Causa, o Julinho, a Voz, o Spinnen, o Galvão, o Bandeira, a de Amsterdam, o Úria, o Avatares e o Complexidade, mais ou menos por esta ordem. Também gosto muito de mim próprio: entraria de caras num top 15. As revelações do ano - não são, eu é que ando sempre atrasado - foram o Agrafo e o Lourenço Bray (escreve-se muito, muito bem naqueles dois sítios, especialmente sobre cães e broncodilatadores). O regresso mais agradável exprime-se em little little words.
O melhor post do ano foi este. A melhor série foi o Diário do Caribe. O segundo melhor post do ano, na Causa antiga, em resposta à corrente dos 5 livros (um que falava no Roth e no livro de viagens da Martha Gellhorn), não se perdeu, ó timóteos em pânico. Eu gravei-o, e disponibilizá-lo-ei a todos os que me enviarem indecentes requisições por escrito. Não vou dizer qual foi o pior post do ano: porque seria indelicado, porque não quero irritar o Eduardo Pitta, e porque num Estado de Direito as pessoas comem os seus croquetes e rissóis da maneira que entenderem - e eu não tenho nada a ver com isso.
Este perigosíssimo texto sobre os Grandes Portugueses foi o post que mais perto esteve de me matar (estava a beber um Capri-Sonne quando o li pela primeira vez, engasguei-me, e cheguei a ver o caso mal parado). Também havia menções honrosas para um do Alexandre sobre a localização ideal para o novo aeroporto (o Second Life), e para outro do Bruno sobre o Paulo Assunção, mas não os vou conseguir achar antes de o galo dos meus vizinhos começar aos berros, portanto nem vale a pena tentar.
Para 2008: espero que a Sexta Coluna e o b-site regressem, pois fazem-me falta, que a Sapo e a Wordpress se afundem em crashes constantes, para que toda a gente tenha de regressar ao Blogger, e acima de tudo que o Gattopardo tenha um pouco mais de calma: é que é impossível acompanhar aquele ritmo.
David Lynch, Shimon Perez, um ringtone dos INXS, e um plano infalível para a paz no Médio Oriente (estou há aproximadamente 20 minutos a rir-me disto)
(É impressão minha ou isto é um remake da primeira palestra do Agente Cooper em Twin Peaks: "I am first going to tell you about Tibet"?. . .)
terça-feira, dezembro 11, 2007
Num zapping logo a seguir ao Porto-Besiktas, ouvi a seguinte frase na RTP2:
«As pessoas não devem ir aos cemitérios desenterrar os seus parentes mortos sem levarem um especialista forense que lhes explique o que vão ver e ouvir.»
Podem dizer o que quiserem sobre a RTP2, mas não a podem acusar de não transmitir bons conselhos.
Podem dizer o que quiserem sobre a RTP2, mas não a podem acusar de não transmitir bons conselhos.
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