sexta-feira, março 02, 2007

Buried Alive

Ontem, num programa da BBC Radio 4, debatia-se a possibilidade de a Crítica Literária estar morta. Os vultos culturais chamados a pronunciar-se sobre o assunto foram incapazes de chegar a uma conclusão peremptória.
Isto parece-me simples. O que se deve fazer é estender cuidadosamente a Crítica Literária no chão, de rosto virado para cima; segurar um espelho de bolso diante das narinas da Crítica Literária; e esperar uns segundos. Se o espelho permanecer limpo, a Crítica Literária está efectivamente morta; se, por outro lado, a superfície se embaciar, então a Crítica Literária está viva, e provavelmente precisa apenas de sais de frutos, e de apanhar ar fresco.

4 comentários:

AMC disse...

Rogério,
Ando para dissertar sobre isso. Não que perceba grande coisa disso, mas a blogosfera baseia-se nisso mesmo, falar sobre tudo que, por via académica ou profissional, não se sabe, mas que se ama pelo prazer que nos suscita. Nem me imagino a falar sobre OPA's, rácios económico-financeiros, taxas de juro, stock options e por aí fora...
Bem, voltando às paixões: E os críticos encartados da crítica literária? Quando houver pachorra darei um exemplo lá no pasquim.
Que seja produtivo o teu trabalho nessas tais 4 ou 6 semanas. Mas não abuses da ausência desta catarse :)

thomas de quincey disse...

A verdade é consabida: a crítica literária nunca fere uma obra que o tempo privilegia. É sempre um peão contra um castelo. A não ser que tenha pela frente um castelo de cartas.

VNF disse...

Assim de repente, parece-me que o estado actual da crítica literária nada deve ao seu passado. Um ano bom outro mau, como o vinho. Mas não irá morrer: enquanto houverem escritores frustrados haverá crítica literária. Aparte: para provar que a crítica jamais morrerá basta olharmos para o passado, para Henry Fielding ou para V. V. Nabokov (uso estes dois exemplos porque não tenho outros). Isto é, se tivesse de morrer tal já teria acontecido.

Uma última nota referente à referida necessidade de sais de frutos: não recomendo, os sais, todos os tipos de sais, sempre lhe causaram intensa actividade intestinal.

Um criado ao seu dispor,

Vítor

MANHENTE disse...

Cuidado com o espelho: alguma crítica literária enamora-se fatalmente das suas próprias palavras...