segunda-feira, março 16, 2009

A minha mãe continua a achar que eu sou extraordinariamente parecido com o vocalista dos Red Hot Chilli Peppers

O Sérgio Lavos acusa-me de ter falhado uma corrente. A ser verdade - e vou precisar de provas, exames ADN, etc. - isto vai obrigar-me a repensar toda uma série de coisas. É que eu gosto imenso de correntes e nunca me lembro de ter olhado para uma corrente e pensado, "olha que chatice, uma corrente". Até esta, da página 161; acho tudo espectacular, pelo que não me importo nada de responder outra vez (a corrente já tinha andado a circular há coisa de um ano, não sei se alguém se lembra).


Ora eu ando a ler dois livros ao mesmo tempo, uma vez que sou um grande maluco e apenas um de cada vez não me chega. Os livros que ando a ler ao mesmo tempo são o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio, ambos escritos por um autor que, curiosamente, também era um grande maluco para quem uma de cada vez simplesmente não chegava. A quinta frase completa da página 161 do Trópico de Câncer é: «Um tipo conhece os bêbados todos de Montparnasse». Para o Trópico de Capricórnio, o resultado é: «Tudo podia ser afastado facilmente, até os Himalaias».



Os restos dos respectivos livros contêm frases tão ou mais titilantes. É tudo a cem à hora, nos Trópicos. A estética literária de Henry Miller exige a substituição deliberada de sofisticação artística por autenticidade crua. O insanável defeito deste tipo de escrita torrencial (Whitman e Kerouac são duas encomendas semelhantes) é que o desleixo e a falta de clareza criam uma dissonância entre o ritmo do escritor - que se acha o maior - e o do leitor - que nem sempre concorda. Os frequentes achaques de levitação induzem uma irreprimível vontade de discordar factualmente do que está a ser dito: “Esta é a virgindade branca e glacial da lógica do amor” (Epá, não, não é). “Sou o gorila que sente as asas a crescerem, sou o gorila leviano no ventro de um vazio de cetim” (Epá, não, não és). “A noite também cresce como uma planta eléctrica, lançando rebentos candentes para o espaço” (Não, a noite não faz nada disso).
Na verdade, a relação de Henry Miller com a linguagem é semelhante à sua relação com o género feminino. O homem dispara em todas as direcções. Tenta tantas coisas tantas vezes que acaba por acertar no alvo algumas delas. Trata a linguagem como se esta fosse uma ginasta romena. E, apesar de todo o seu priápico e transpirado entusiasmo, a linguagem fica quase sempre hirta debaixo dele, a fingir orgasmos múltiplos.
Poderia continuar a falar sobre o assunto, mas prefiro guardar o resto para o meu longo texto crítico sobre Henry Miller, a publicar brevemente no Scunthorpe Telegraph. E porque nestas alturas de crise as pessoas gostam é de finais felizes, vou terminar o post com um gatinho dentro de uma caixa.

14 comentários:

s patinha disse...

Vejo e prevejo que continue a ter dificuldades em me encontrar com elas, isto é, não há mecanorecptores viáveis. Os gatos já gostam de vir para o meu colo, por isso é que vi-me neste post.
O começo é sempre de ver o que saí dali mas o tempo passa, e sou vejo o gato a espreitar entre a porta e numa estirada derompante salta-me para o colo.

Sérgio Lavos disse...

Ups. Sou capaz de ter proferido uma vil e infundada acusação. Se calhar não te passei nada, nunca. Vemo-nos no tribunal.

Anónimo disse...

Isto é tramado.
Atirei-me a esta caixa de comentários para te insultar de louco, mas... travei-me.

Insultar alguém de louco pode até ser lisonjeiro, dependendo do contexto, dos interlocutores, enfim, tudo depende, teoria da relatividade, essas coisas.

Um gajo escreve uma frase cheia de lugares-comuns, chega ao fim e vê que não chegou a lado nenhum, não saiu do sítio, quando muito deu um ou dois passos atrás. E volta a escrever outra. É um vício. Pára (eu).

A verdade, Casanova, é que não sei se te ofereceria um ramo de rosas ou um ramos rosa.

Outra verdade, Casanova, é que terás camaleónicas habilidades, mexes um olhinho para cima, e o outro para baixo (a tal semelhança afirmada pela tua mãe). Só assim percebo que consigas ler dois livros ao mesmo tempo, ainda assim é uma habilidade dez vezes inferior à do Marcelo R. de S., esse tem um cabeça de duas vírgula qualquer coisa tarântulas. O Marcelo perde na articulação (atenção, copyright Luck 2009, fui eu, eu, eu, eu).

Foi um prazer, acho, espero. Pelo menos isto é bem bom: ler-te emagrece-me; vou a correr para uma enciclopédia, para outra, corro para um motor de busca, correr atrás de algo motorizado é uma canseira. Emagreces-me, sim, Casanova, as gajas devem idolatrar-te.

Um abraço desses que os gajos hetero agora esbanjam uns com os outros, embora eu preferisse as distâncias da ergonomia. E tal.

Luck

ॐJohn disse...

tehre wuz sumefing pointy, prviously insaide tihs box.

LB disse...

Eu desisti a meio do Sexus. Não o verbalizaria tão bem como o fizeste. Mas acho o Kerouac diferente, pelo menos, pelo On The Road, que é mais curto, não dá para ser demasiado aborrecido. Apesar de ser um livro tosco, acho que é sincero e criou um objecto "pop" interessante e mais amplo, poderoso se lido na idade certa. Como os Nirvana... Também desisti do Ulysses do Joyce pelo mesmo motivo do Miller, mas falta-me um gosto apurado para apreciar malabarismos de língua (não compreendo a poesia) e sinto que estou a perder o tempo quando um autor inclui uma espécie de relevo abrasivo nas frases, como se uma pessoa tivesse de se esfolar nelas para as compreender.

Luís Filipe Cristóvão disse...

ó Casanova, mas tu agora já lês em português alguma coisa que não seja o Record?

Johnny T disse...

Man, não imaginas ao tempo que eu andava à procura de alguem parecido com Anthony Kie..Quie...Kieds...Kiedis (bem, com o gajo dos red hot)!

Lourenço Cordeiro disse...

Tens de vestir fato e gravata para podermos comparar; assim não dá para ver.

Anónimo disse...

Bravo! É um gosto a gente ler o que escreve.

Anónimo disse...

LB: sem querer entrar em diálogo ou passar por bem intencionado, sempre lhe direi, como o outro, que enquanto há língua há esperança.

Trinity disse...

tenho de mostrar à tua mãe uma foto do Lukas Haas. Ela vai concordar comigo. Por mais gatinhos que coloques, nada me fará mudar de ideias.

pvnam disse...

---> Não há pachorra para andar a aturar:
1- nem os Parasitas Intolerantes [vulgo parasitas brancos, a maioria dos europeus: como não constituem uma SOCIEDADE SUSTENTÁVEL - isto é, uma sociedade dotada da capacidade de renovação demográfica -, eles (os Parasitas Intolerantes - vulgo parasitas brancos) procuram infiltrar-se em qualquer lado: quer importando outros povos para a Europa... quer deslocando-se para o território de outros povos...],
2- nem os Predadores Insaciáveis [Africanos, Mestiços, Árabes, Asiáticos,... que estão numa corrida demográfica pelo controlo de novos territórios...],
SEPARATISMO JÁ!


NOTA: Não será a criação de reservas naturais... mas sim, porque os Predadores Insaciáveis não são de confiança, separatismo puro e duro: ou seja, a criação de Estados Étnicos dotados de eficientes EXÉRCITOS para auto-defesa!...



ANEXO 1:
TODOS DIFERENTES!!! TODOS IGUAIS!!!
Isto é, TODOS os Povos Nativos do Planeta Terra:
-> INCLUSIVE os de 'baixo rendimento demográfico' (reprodutivo)!...
-> INCLUSIVE os economicamente pouco rentáveis!...
devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no Planeta!!!

ANEXO 2:
Contrariando aquilo que os espertalhões da Inquisição Mestiça pretendem... não devemos ser Fundamentalistas!!!... Assim sendo, devem ser considerados NATIVOS todas as pessoas com, pelo menos, x % de GENES TÍPICOS NATIVOS... ( nota: x% -> a definir por uma comissão científica )

candida disse...

eu li o pus pistorum
:)

Anónimo disse...

Estava eu tão seriamente concentrada a ler o post e depois... parto-me a rir com a cena do gato

Alexandra