quinta-feira, janeiro 07, 2010

Vocês são daquelas pessoas que eu fui incapaz de transformar em checoslovacos?


Bom dia, alegria! O pior já passou, e tudo se resolveu: a password do blogger afinal era "Alexi_Lalas", entretanto alterada para o nome de um futebolista com menos internacionalizações. Creio não estar a extravasar as minhas competências ao lembrar-vos a todos que tiveram muitas saudades minhas, e que a minha ausência vos fez sofrer muito. As pessoas do Albergue Espanhol (um nome a duas curtas vogais de distância de ter como anagrama "pus-lhe gel no rabo") ficaram tão transtornadas que chegaram ao ponto de omitir este blogue da sua extensa lista de links, um gesto inadvertido e facilmente rectificável, mas que me comoveu profundamente.
Quanto ao número de Natal do Economist, no fundo o assunto que nos trouxe aqui hoje, não haverá dúvidas em apontar o artigo The Art of abandonment como o grande vencedor, seguido de perto pelos artigos Older and richer e Tongue twisters («Turks coin fanciful phrases such as “Çekoslovakyalilastiramadiklarimizdanmissiniz?”, meaning “Were you one of those people whom we could not make into a Czechoslovakian?”»).
Também manifestamente incapaz de transformar pessoas como o Abel e o Hélder Postiga em checoslovacos, a direcção do Sporting Clube de Portugal tem aproveitado os intervalos da sua agenda normalmente preenchida com actividades destinadas à opressão de casais homossexuais para "mostrar interesse" na contratação de jogadores de futebol. A situação apanhou-me desprevenido, mas deixa-me confiante no futuro. O Pedro Mendes e o Ruben Micael não preenchem as lacunas mais urgentes, mas se o interesse for real revela uma nova maneira de pensar o reforço do plantel. Mais ou menos desde 1997 que a contratação de jogadores para o Sporting é subordinada à elaboração de um perfil: um treinador fazia um relatório no qual lamentava a falta que lhe fazia um avançado rápido que desse largura ao ataque e contratava-se o Giménez; ou um ponta-de-lança corpulento para proporcionar um modelo de jogo mais directo, e contratava-se o Purovic. Andámos assim nove anos a gastar dinheiro não em atletas profissionais, mas em formas platónicas. O novo rumo assenta em premissas diferentes: gasta-se o dinheiro que houver (outro mistério: acho que não sou o único que começou a contar cartas no blackjack) em qualidade, sem entrar em considerações sobre o sítio onde ela posteriormente se enfia. O Pedro Mendes e o Ruben Micael têm poucas características em comum, a não ser o facto de ambos exibirem uma insólita propensão para passar a bola a colegas de equipa. Não cumprem as fantasias centimétricas e curriculares dos adeptos mais lúcidos (ando a sonhar com um trinco africano de dois metros de altura há tanto tempo), mas um meio-campo de tísicos em câmara lenta que não perdem a bola parece-me uma melhor base de sustentação de um clube que luta activamente pelo terceiro lugar do que um meio-campo de tísicos em câmara lenta que perdem a bola. Os melhores autores de contos de todos os tempos foram o Isaac Babel e o Leonard Michaels, mas isso é assunto para outro post, e eu vou escrever muitos, muitos posts este ano.

16 comentários:

Ricardo disse...

Tens razão quanto ao Pedro Mendes; já no que diz respeito ao Ruben Micael, estás claramente a falar de cor (mesmo que não salteado). O gajo põe os vossos Moutinhos e Matias Fernandez a um canto. E está sempre a dizer mal do Benfica, já agora. Se nem isso te convence então fiquem-se lá com os Sinamas-cum-caralho-6-milhões-e-meio-de-euros?-Pongolles e não sei quê.

Clibanarius disse...

Dizer mal do Benfica = crime de lèse majesté.

Tenho a ideia que isto da "verdade desportiva" são tangas de quem tem vergonha de assumir que o que quer é o Benfas proclamado campeão por decreto. Ou por televoto.

Tolan disse...

Tens ganho no blackjack? Eu por acaso já ando a ser um bom jogadorzinho de poker. Vamos lá ver.

jaa disse...

O futebol é uma treta. Aliás, não percebo como uma pessoa que leu os ensaios do Foster Wallace sobre ténis escreve tanto acerca de futebol e tão pouco sobre os encantos da Mirka Vavrinec e a forma como uma rapariga rechonchuda pode proporcionar estabilidade emocional a um jogador (por oposição às raparigas tipo Paris Hilton - i.e., louras-bimbas (e não louras-bimby, que são o sonho de qualquer homem heterossexual com tendências gastronómicas) - que o CR9, provavelmente com uma agência de comunicação por trás, gosta que se diga que engata).

E obrigado por admitir que tivemos saudades suas.

jaa disse...

E só mais uma coisa, relacionada com o delicioso (e fluido) conceito de «autoridade moral»: como é que você pode referir as falhas na lista de links do Albergue Espanhol quando a lista da Pastoral não só não inclui o Albergue Espanhol como parece uma cassete VHS em tempo de suportes digitais?

alexandre vaz disse...

foda-se, até que enfim que este moço reapareceu!

que pesadelo...

Emily Brontë disse...

com menos internacionalizações que o Alexis_Lalas só conheço a Cimpor.

Muda a "password" para Caicedo para nunca te esqueceres.

Está (mesmo) tudo bem com o Miguel Veloso.

Anónimo disse...

O melhor autor de contos de todos os tempos foi Somerset M. Vê lá se atinas.

prosinečki disse...

se esse m. for de maugham não vejo maneira dessa frase ser heterossexual, mas gostei do "vê lá se atinas", fica sempre bem.

Tolan disse...

o melhor autor de contos foram o Tchekov, o Bukowski, o Salinger e o e mais muitos, como o Tenessee Wiliams ou o Buzzati ou o Poe. Foram quase todos menos o Isaac Babel e o Leonard Michaels. Que provavelmente são apenas judeus.

alf disse...

O que eu te tenho recomendado que estas referências ao Economista são do mais provinciano que existe e não casam com a erudição de uma alusão a Alexi Lalas. Estou quase tentado a concordar com a saudosa Marta Morais sobre o facto de o modelo "alusões_futebolísticas_ literatura de vanguarda" ser um esquema táctico um pouco gasto. O auditório clama por essa conquista industrial da modernidade capitalista que é a originalidade. Casanova: brinda-nos com um truque novo.

P.S. Sabias que o Nabokov defendeu as redes da equipa Universitária de Cambridge cerca de 1917, pisando o enlameado da grande área observando melancolicamente, enquanto a bola andava pelo meio-campo adversário, as gralhas penduradas em salgueiros que recortavam a tarde em sombras vagas sobre o cinzento-cobalto do céu?

Ognito Inc. disse...

Bem vindo de volta! (desculpem o off topic da ausência do palavrão mas não estou praí virado, o Benfas esta semana até ganhou e vai em primeiro e tudo...)

marta morais disse...

Vimos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Queremos muitos, muitos posts
Começa lá a trabalhar

Tolan disse...

*clap clap clap*

dalilo disse...

Adeus este blog morreu sem, administrador este deixo-se ir nas conversas das meninas algures de um casino clandestinio com papeis formais do estado. Por tudo o que fez deixem-no falecer, em parte ele vive nas paginas da Ler e é pago.

Anónimo disse...

Oi Roger...o poroblema do Sporting é nenhum se não é esse o problema (o nenhum), os culpados são as equipas teoricamente mais fracas do campeonato português que infelizmente nunca são dignos de um aplauso, pelo menos pelos mais ouvidos da C.Social, quando ganham as teóricas Equipas Grandes. Sim, talvez fizeram declinar ainda mais os fracassos da época passada e antepassada...é simplesmente um fracasso em forma de um bloco de neve que por sua vez adquira a pseudo-forma de uma bola de futebol GiGaNtEsCo! É apenas a falta de resultados; é o futebol!

abraços, nós por cá